Imagina que hoje é dia de longão. Quando digo longão, estou falando de um treino que tenha mais de 1h. O que você leva? Quero dizer, além de você mesmo, seu tênis (se você não for adepto da corrida descalça) e alguma roupa para não ser preso por atentado ao pudor. Tá, provavelmente algum relógio –seja do Mickey com ponteiros de bracinhos seja um super-hiper-mega-boga-bold-plus GPS que fala com você– uma viseira/boné se estiver sol, talvez um óculos escuros. Ok, beleza, mas qual será o seu combustível?
Dependendo onde você corre, talvez tenha água a vontade no percurso, seja de bebedouros seja de vendedor de barraquinha seja de fonte natural. Vamos também partir do pressuposto que você tomou ALGUM TIPO de café da manhã, porque eu espero que você não seja adepto da correria em jejum. Sério pessoas, zerinho antes de correr não costuma dar muito certo. O gás acaba bem antes do treino, pode dar tontura, fraqueza ou fome de leão no final. Eu pessoalmente não consigo comer muito e depois correr, não estou falando de um café da manhã de cinema, com 3 tipos de pães, queijo, frutas, sucos, café e bolo no final. Algo mais básico que o seu estômago aprove. Eu me dou bem com uma torradinha + café. Ou iogurte (esse tem muita gente que se dá BEM mal com esse). Mas só para constar, “comi uma banana” não costuma segurar a onda de um treino de 1h30.
Mas voltando, digamos que você tomou a sua vitamina matinal e foi pro longão. Em mais de 1h de treino, só água não vai ser o suficiente. Sim, eu sei que você AGUENTA. Não estou dizendo que a pessoa desmaia ou que cai um raio no corredor que não come nada em 2h de corrida. Não é questão de não conseguir, é questão de que NÃO É BOM correr a seco por tanto tempo. Seu carro não anda sem combustível, anda? Nem você. Aliás, se você insistir em andar sempre na reserva, uma hora dá m****. Tipo funde o motor.
E não, você não emagrece se correr 2h sem comer nada. Ao contrário, seu corpo se prepara para o perrengue, segura a onda e, no seu próximo pit stop alimentício, vai absorver o máximo possível do que você comer e se certificar de criar um prático reservatório de gorduritas para segurar seu próximo treino.
Mas tudo bem, você já sabe tudo isso e por isso leva o tradicional gel. O gel, na maior parte das vezes, é um super carboidrato concentrado, de fácil absorção. Alguns vem com um tanto de proteína também, outros com um aditivo de cafeína. E tem sabores. Alguns bons, alguns esdrúxulos e outros muito mas muito ruins. Como não sou patrocinada por ninguém, posso dar nomes aos bois aqui. Eu me dou bem com as balinhas de gel, tipo a Honey Stinger com o avassalador nome de sabor chamado Pomegranate Passion (vulgo Romã) e com o GU, desde que seja o de Chocolate (o único que eu levo pras montanhas), o Triberry (que parece nome de superpoder, na prática é tipo um frutas vermelhas azedinho) ou o Plain, que eu chamo carinhosamente de Sabor Lhufas, ou seja, gosto de nada.
Mas tem gente que se dá melhor com os géis mais líquidos (que eu acho meio IRK) e até gente que gosta de sabores como morango com kiwi (da Accel Gel), banana (da GU) ou o Café Expresso (da Hammer Gel). A verdade é que gel (ou as gomas de carbo) são opções bacanas, práticas e que resolvem seu problema. Eu até gosto, não passo mal –como muitos corredores que ficam com o estômago embrulhado– mas a verdade é que comer gel me cansa.
Em uma prova longa, então, eu não consigo correr 6h comendo gel. Eca! Eu gosto mesmo é de comida. Não tiro o mérito do gel, as vezes seu estômago não vai aguentar comida e só gel que passa. Também é preciso saber dimensionar a energia gasta na digestão –você não pode querer que o corpo faça força montanha acima ou corra muito rápido numa prova ao mesmo tempo em que digere um sandubão de queijo né?
Então não existe vida além do gel? Existe! E é vida inteligente ainda por cima. Pelo mundo afora é super normal a pessoa preparar seu próprio gel, assim como preparar seu próprio isotônico. Aqui na terra brasilis é que costumamos achar que só é bom o que vem embalado, industrializado e escrito em inglês. E que tudo o que é feito por você mesmo é tosco e não faz efeito.
Pois dá para começar com um meio termo, algo industrializado mas que não é tão artificial quanto um gel. Por exemplo: bananinha. Sabe aquelas bananinhas sem açúcar que custa tipo 1 real? Essas. Ou frutas secas tipo damasco ou tâmara. São comidinhas que ocupam o mesmo espaço de um gel, não são de digestão difícil e resolvem perfeitamente bem seu problema num longão, com o plus de terem gosto de comida real.
Em prova longa, aprendi ainda a levar pão. Tipo pão puro, ou com manteiga de amendoim (que só eu gosto, eu sei). Levo gel também, mas deixo mais para o final, quando o corpo está mais cansado e a digestão mais difícil. Eu gosto de fazer também as (atenção, nome em inglês, então é bom!) Energy Balls, um tipo de brigadeiro energético a base de tâmaras e cheio de coisas estranhas mas eficientes como chlorella, açaí em pó, pó de maca, óleo de coco, castanhas.
Como gosto não se discute, você pode descobrir misturas estranhas mas que funcionam, como uma que eu adoro para o pré-prova: banana com manteiga de amendoin (a peanut butter americana, aqui também chamada de creme ou manteiga de amendoim).

O importante é saber que você precisa de uns 30g de carboidrato por hora durante uma prova ou longão que durem mais de 1h e que você precisa repor os sais minerais que perde durante a corrida (tipo a mistura de 1/2 colher de sal + 1/2 colher de bicarbonato de sódio + 2 colheres de extrato de agave p/ 1 litro de água).
Para quem gosta de cozinhar, tem um admirável mundo novo aí, cheio de receitas para antes, durante e depois das corridas. Vale experimentar, nem que seja para variar um pouco do gel e do Gatorade. Vai uma bananinha aí?
Este texto foi escrito por: CORREDORA ZEN 🙂