Depois de ter passado pelo Cruce de 2012 e 2013, ficou notado que o 2º dia é um dia onde se avalia a minha condição física e mental, e eu me preparei com eficiência na recuperação, e isso é fundamental para a continuidade para quem tem pretensões de manter o mesmo empenho para o decorrer do Cruce, – Deu certo.
Depois de passar pelos mais de 41 km do 1º dia, com “friaca”, lama, chuva, dormir sem banho (por falta de coragem, pois lago tinha gelaaaaaaado, mas tinha), era hora de pensar no dia que estava por nascer o 2º dia de Cruce.
O dia 2º foi repleto de momentos surpresas, nem o mais aventureiro dos montanheiros que ali estava gostaria de ter que passar novamente.
O dia iniciou as 5h30m para muitos e para muitos só acabou as 23h30m…
Eu e Giliard prontos para a largada, mas isso demorou um pouco devido as inúmeras logísticas da organização tais como: no camp 1 esperar o ônibus para a largada por 1 hora, + 2 horas de transfer para a largada, + 3 km de trote para o ponto oficial da largada, + 40 minutos de espera na chuva para a largada, e foi ai que Sebastian (organizador) anuncia que teríamos problemas no cume do Vulcão e o percurso foi alterado de 33 km para 23 km somente por estradas, com largada alucinante e muita alegria nas pernas as duplas Pablo&Daniel, Magno&Rafael e eu descíamos e subíamos em ritmo de primeiro dia (3’15-3’20-3’15), tudo isso para uma prova de 23 km por estrada…

No desenrolar, fomos surpreendidos com algumas trilhas de pasto, praias com areia fofa e o pior, como era uma prova de ida e volta o ponto eu que havia marcado como referencia de chegada, tinha ainda mais 10 km de estrada, e nem a alegria que as pernas irradiaram no inicio eram capaz de fazer sorrir para os muitos incentivos dos amigos que com palavras empurravam minhas pernas para cima ou para baixo…
Foram os últimos 7 km mais difícil da minha vida, e claro que levo este desconforto para outro momento, que talvez possa passar, e isso é o que tiro de proveito sempre destes tipos de situação onde o físico não responde mais e o mental é o que sobra.
Mais 3 horas de transfer para o camp 2 e muitas risadas com os hermanos e amigos brasileiros para amenizar os perrengues do percurso.
Chego ao Camp 2, pego a mala e ando mais uns 200 m na busca da barraca (736)… não encontro ao meio da chuva/frio, quando o staff me chama e diz calma, olhei para ele e nem precisei responder, mas ele novamente me pede calma, pois a minha barraca não estava ali, pois havia sido extraviada, e eu e Giliard dormiriamos em pousada…
- Cerca de 100 montanheiros tiveram problemas com a sua barraca e tiveram este bônus de prêmio para o dia seguinte.
Por isso que sempre acredito, que o dia sempre me reserva um lugar na sombra, neste caso depois do dia longo me reservou um lugar na pousada.

A prova:
Prova: 2º dia de Cruce
Distância: 34 km
Tempo: 3h08m56s
Terreno: estrada, trilhas de basto, praias com areia fofa, single track e pedras
Clima: chuva, frio e sol
Colocação: 3º lugar no dia e no acumulado
Vídeo do Cruce 1º dia: VIDEO AQUI
Este texto foi escrito por: JOSé VIRGINIO DE MORAIS