El Cruce 2014 (passo a passo) 3.

Redação Webrun | · 23 fev, 2014

De pé as 5 da matina vamos começar o segundo dia de prova…

Primeiro checando o material de prova, mochila, tênis, suplemento, água, etc. Tudo certo. Recolhe as coisas de acampamento, dobra o saco de dormir, enrola isolante, guarda na bolsa, e vamos tomar café.

As pessoas que não nos conheciam já começam a olhar com outros olhos. Alguns cochichos enquanto comíamos. E os amigos que lá estavam abraçam, sacodem, e falam: “Pra cima deles!”

Chamam os primeiros cinquenta do dia anterior para embarcar no primeiro ônibus. Translado que seria de 1:30′ durou 2:30′, o motorista se perdeu. Quando chegamos em determinado ponto, avisam de uma caminhada de 3km até a largada. Então já começa a corrida para a Elite, pois todos corremos pensando que pegaríamos trânsito nas trilhas. Chegamos no pórtico e vemos que não houve largada, todos falam que tem muita neve e serão só 23km ida e volta.

Alinhados… Aparece um dos organizadores do evento e grita: “Por condições climáticas teremos apenas 23km de prova, irão e voltarão pelo mesmo trajeto, haverá travessia de barco no quilômetro 9!” Aí se deu a confusão.

As três duplas masculinas que brigavam no pódio largaram num pace de 3:20′. Ninguém queria ficar atrás e chegar depois no tal barco. Chegamos no quilômetro 9 e atravessamos o rio a pé. O ritmo continua louco, não sabíamos de nada sobre percurso.

Aos 13kms de prova começamos a subir um trilha larga que chega a um descampado, a essa altura eu e Magno estávamos em terceiros sem visual. Corremos algum minutos em um descampado e começamos a descer. Teríamos que fazer a volta de 2km em um praia e voltar pelo caminho inicial de 13km. Ao final da volta começamos a ver as outra duas duplas, e com mais 1,5km de praia passamos a líderes da prova, querendo tirar a diferença do dia anterior, aí eles que não viam mais a gente.

Já no final com 30kms de corrida, vemos os argentinos atrás aproximando, correr era um luxo naquele momento, eles também se arrastavam. Ficamos juntos, os quatro, por um quilômetro, onde dividimos água e comida. Faltando 2km para o fim, eles voltaram a trotar e chegaram poucos minutos na frente.

Que batalha!

Mais uma coisa me deixou triste ao me jogar no chão depois de cruzada a linha de chegada. Uma brasileira fala a dupla argentina: “Como correm assim? Vocês são uns heróis!” Pois é… Não vou declarar nada…

“A luta só termina quando acaba…”

Este texto foi escrito por: RAFAEL SODRé GONçALVES

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