Se você leu o título rápido e entendeu infernal, não está tão errado assim. Para mim, se existe um inferno, ele é extremamente gélido, não quente. Quando temos temperaturas extremas aqui no Brasil, sofro muito mais com o frio do que com o calor. Mas estou divagando, o que quis dizer foi invernal, de inverno mesmo.

Sei que estamos no outono. Mas quando saí de casa para ir ao Ibirapuera na madrugada/manhã de ontem, a temperatura era de inverno europeu. O termômetro que marcava 15°C certamente estava quebrado, estava muito mais frio do que isso! E lá fui eu, de shorts, enxergando uma paisagem glacial onde antes havia asfalto.
Mais uma bronquinha para a coleção– Já sob a luz do dia, cheguei ao Parque e cumprimentei o treinador Leandro Castro. Por onde você andou?, questionou ele com uma expressão de desapontamento, em referência às minhas ausências na semana anterior. Sábado eu fui lá na USP, desconversei, o que me fez lembrar que na ocasião eu tomei outro puxão de orelha, do Cláudio Castilho.
O treino do dia era de rodagem. Cinquenta minutos, dizia a planilha de treinos. Pode ir, autorizou Leandro. Fui. O frio opressivo de meia hora antes já estava mais agradável e com poucas passadas me senti melhor. A baixa temperatura, somada à intermitente chuva fina da véspera, afugentou a maior parte dos corredores que frequentam o parque.

Com isso, não foi necessário desviar ou alterar o ritmo por conta dos outros atletas. O caminho estava bem livre e o frio ideal para um bom desempenho. As ruas quase vazias do Ibira sob aquele céu nublado, folhas secas no meio-fio e árvores com coloração opaca criaram um visual belíssimo e inspirador para o treino.
Consegui desenvolver minha corrida numa boa, sem complicações. No final, cheguei bem próximo dos dez quilômetros em pouco mais de cinquenta minutos, o suficiente para me deixar de bom humor pelo resto do dia. Até o próximo treino!
Este texto foi escrito por: PAULO BARROSO GOMES