Chegou a hora. Agora não tem volta, é o momento de encarar o leão face a face e pegá-lo pelos dentes. Esses eram os meus pensamentos ao me levantar antes das 6h da manhã na última terça-feira (24/04). Vale de tudo para enganar a mente e vencer as garras sedutoras da cama quentinha em uma manhã gélida.
Levantei-me, tomei um café da manhã safado e um banho quente rápido para despertar. Saí de casa perto das 6h, rumo ao Ibirapuera, onde faria a minha avaliação técnica é por ela que serão definidos os primeiros passos do meu treinamento.
Cheguei lá e, apesar de conhecer bem o Parque, demorei um pouco para achar o local onde a Saúde & Performance atua, perto do prédio da Bienal. Foi o meu primeiro contato com uma assessoria, já que sempre treinei por conta própria.
Começando– A primeira coisa que fiz foi preencher uma ficha cadastral que, entre os dados comuns, tinha informações específicas sobre corrida, como qual o meu melhor tempo em provas de determinada distância. Depois disso, o treinador Leandro Castro me explicou como seria a avaliação e me emprestou um frequencímetro da Polar.
Fiz diversas voltas em um percurso curto, sempre passando na frente de Leandro para informar como estavam os batimentos cardíacos. Confesso: foi muito difícil acertar o que ele me pediu. Primeiro era para correr em 141 batimentos. Quando comecei estava abaixo de 100, então acelerei e os batimentos subiram tanto que depois tive que quase rastejar para reduzí-los.
Fiquei nesse trote devagar quase parando por um bom tempo até que ele deu a orientação: Agora é para correr em 161, pode disparar. Ingenuamente acreditando que ele realmente queria que eu disparasse, acelerei como nunca. Os batimentos foram quase em 180!
Reduzi e mantive o ritmo moderado para tentar acertar, uma verdadeira batalha contra o frequencímetro. Mas consegui (mais ou menos) e Leandro me liberou para uma volta no ritmo em que eu me sentisse confortável pelo percurso tradicional no Ibirapuera (marquise-lago-quadras).

O inimigo atende por vários nomes. Frequencímetro, monitor cardíaco…
Feedback– Terminada a avaliação, era hora do papo sério. O treinador disse que eu tenho um bom preparo físico, mas mostrou que tenho uma verdadeira montanha para escalar: a passada, aberta em excesso, deve ser corrigida. Com a passada certa devo ganhar em impulsão, consequentemente velocidade e a minha pisada passará de levemente pronada para neutra.
Mas isso demanda um treinamento técnico de reeducação da postura que devo levar com grande disciplina. Outro ponto a ser melhorado: corro como se fosse um gringo dançando um sambinha, com os ombros tensos e com os braços cruzando o eixo do corpo.
É vício de jogador de futebol, explica Leandro, tentando não me deixar mais para baixo. Como mudam de direção a toda hora, utilizam os braços para se equilibrar. Os jogadores que tem melhor técnica de corrida são os laterais e alguns atacantes, que correm mais tempo em linha reta. O Cafu, por exemplo, tinha potencial para ser um velocista, elucida.
Minimalistas, cuidado– Com a autoestima em baixa por conta das críticas, desviei o assunto para calçados. Ahm… e qual seria o tênis ideal para mim? O que você acha da tendência minimalista e de barefoot running?, tergiversei.
Tem que tomar cuidado, disse ele. Esses calçados muito flexíveis que dizem permitir movimentos do pé inteiro normalmente não tem uma proteção adequada e portanto são mais propensos à fascite plantar.
Leandro afirma que é conservador quanto aos calçados, preferindo os tênis convencionais. Ainda não fui convencido que esse tipo de tênis realmente traz um benefício. Calçados de barefoot running então [como o Vibram Five Fingers] são uma agressão, opina.
E foi com esse papo que encerrei o primeiro dia de treino. Como esperado, praticar exercícios no começo da manhã dá uma ligada no organismo e eu comecei o dia muito mais produtivo. Já sabia que isso acontecia, mas fazia tempo que não experienciava isso. Agora é questão de regular o sono. Que venham muitos outros!
Este texto foi escrito por: PAULO BARROSO GOMES