Correndo no Circuito Caixa de São Paulo

Redação Webrun | · 04 out, 2011

Nossa redação recebeu o convite da organização para correr a Etapa de São Paulodo Circuito de Corridas Caixa no final da tarde do último dia de inscrições. “Quer se inscrever?”, perguntou meu editor,Alexandre Koda. Eu me interessei, mas já estava designado para cobrir a mesmaprova. Como iria conciliar a corrida e a cobertura?

“É só correr mais rápido que os atletas de elite”, disseele. “Assim você consegue entrevistá-los na chegada”, brincou o fanfarrãoeditor. Na verdade eu poderia falar com os vencedores após a premiação, o queme dava certa margem de tempo para completar os dez quilômetros no ritmo médio deum corredor amador.

Como o convite foi de última hora, não teria tempo paratreinar.  Procurei então pelo menoscuidar do meu corpo. Alimentação leve na véspera da corrida e o sono em diapoderiam fazer a diferença no meu rendimento.

No sábado, cumpri com parte do que havia estabelecido paramim mesmo. Comi uma massa leve com legumes no almoço, e, no jantar, mais massae vegetais: Macarrão ao molho sugo e brócolis. No domingo, antes da prova,algumas fatias de pão integral e mais brócolis.

Lei de Murphy nofutebol
No entanto, cometi um erro na preparação, ainda que consciente. Frequentadorassíduo de peladas com os amigos, não pude recusar um futebolzinho no início danoite de sábado. Para meu azar, justo nesse dia a maior parte dos boleirosfaltou ao jogo, o que fez com que jogássemos com dois a menos em cada time poraproximadamente duas horas. O desgaste físico era inevitável.

Para coroar a noite desastrosa, uma forte chuva de verão (naprimavera, eu sei) nos castigou durante boa parte do jogo. Preocupado com odesempenho no dia seguinte, usei bastante gelo nas pernas para reduzir a fadigamuscular e fui dormir já depois da meia-noite.

No domingo, bom sinal: Apesar de pouco, dormi bem e nãoestava com tanta dor nas pernas como esperado. A crioterapia rendeu! Aindaassim, não estava inteiro. Fui para a prova conformado em correr para completar.

Clima bom. Para quem?
Fui informado que a largada seria em frente ao Estádio do Pacaembu, mas não,era dentro. Começar a correr ao lado daquele gramado “tapete” era umainspiração para mim. No entanto, não demorou muito para que eu sentisse osefeitos do cansaço da véspera, já fora do estádio.

Ainda no primeiro quilômetro avistei um relógio-termômetrode rua, que marcava 20 °C. O céu estava nublado, mas o ar estava pesado,abafado. Depois, escrevendo sobre o resultado dos atletas de elite, vi que osdois primeiros da categoria masculina classificaram o clima como ameno. “Oclima foi bom”, disse o vencedor, Paulo Roberto de Almeida Paula. “O tempoestava bom”, repetiu o queniano Hillary Kibet. Bom o caramba! Não tinha nada defrio, era puro mormaço.

Eu visto a camisa!

No segundo quilômetro, ainda na Avenida Pacaembu, comecei asentir dor nos rins. “Estou desidratado”, pensei. “Não vai dar”. Abatido pelador, diminuí um pouco o ritmo e olhei para as pessoas que já caminhavam. Desapontadocomigo mesmo por considerar tal hipótese, voltei ao ritmo anterior, firme paraseguir em frente.

Surgiu o primeiro posto de hidratação, mas estiquei o braçoem falso e só peguei gelo. Teria que aguardar o próximo. Adotei então a táticade enganar a mim mesmo. Mentalizei que iria correr doze quilômetros em vez dedez e sempre que cruzava uma marcação pensava que faltavam dois quilômetros amais do que realmente faltava.

À medida que consegui beber água, a dor nos rins passou e oúnico adversário tornou-se a fadiga muscular e o clima pesado. Mas a tática dosdoze quilômetros funcionou e eu ainda esperava poder apertar um pouco a passadano final.

Palhaçada
Vencido o “Minhocão” Elevado Costa e Silva faltava o retorno da AvenidaPacaembu. A descida para voltar à avenida me deu um gás e segui determinado,até ouvir uma buzininha de sorveteiro e os membros do staff de apoio gritando “vai,palhaço!”. O palhaço em questão era Clemente Medeiros, figurinha carimbada nasprovas paulistanas.

Apesar de respeitar Clemente e reconhecer que ele corre hámais tempo do que eu, não podia aceitar que um cara com duas bolas de plásticonas costas, bolinha vermelha no nariz, macacão e todas as outras peças quecompunham aquela indumentária chegasse junto comigo. Eu, livre, não conseguiacorrer mais do que ele, cheio de coisas.

Mas não tinha muita opção, então me conformei em corrercontra os meus tempos passados, como fazem todos os corredores, em vez decompetir com o palhaço. Consegui apertar um pouco a passada quando avistei oestádio, mas, já próximo à chegada, o palhaço me atormentou de novo: Ele estavaalguns metros na minha frente. A visão foi angustiante e apertei o ritmo. Paraminha surpresa, ele parou de correr e começou a andar perto da chegada. Vislumbrandoa glória, eu o ultrapassei nos últimos metros, triunfante.

O vídeo abaixo mostra nossa chegada, atentem para o final:

Imagens por Emílio Pedrosa.

Pós-prova
Ao chegar fui recebido pela equipe do Webrun,mas estava desesperado demais para respirar e segui em frente. Parabenizei opalhaço Clemente, aproveitei para entrevistá-lo e fui retirar meus pertences noguarda-volumes para me trocar e enfim começar o trabalho.

No entanto, a aglomeração no guarda-volumes me atrasou eperdi a premiação dos atletas de elite. Ainda tomei bronca por não ter feito tempobom o suficiente para pegar pódio na categoria de imprensa, mas tudo bem.

Na segunda-feira, uma dor de cabeça digna de ressaca meacompanhou durante todo o dia, fruto de má reidratação. A semana estava apenascomeçando…

Ar! Cadê você?

Este texto foi escrito por: PAULO BARROSO GOMES

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