Pessoas queridas, que tal está sendo 2013 para vocês? Eu entrei com o pé direito, com o já tradicional Treino de Reveillon Subindo a Pedra Grande no dia 31 de dezembro.
Desde então, 2013 tem sido um ano bem, digamos assim, MOLHADO. Em Sampa, quando dá de chover, é Noé style. Chove por muitos dias e muitas noites, lugares inundam e você estaria muito melhor numa arca do que num carro. MAS, numa arca dificilmente daria para treinar, então o jeito é correr debaixo d´água mesmo.
Foi aí que me toquei de uma coisa: a gente andou perdendo contato com essa coisa molhada chamada CHUVA. Quero dizer, contato sem ser através de um vidro, guarda chuva, teto ou tela.
É só chover que tooooodos os noticiários começam a falar, em tom dramático, que “choveu hoje mais do que nos últimos 40 anos” ou que “choveu em 1h a média prevista para 10 dias”. Faz ANOS que ouço isso. Será que não estava na hora de tipo assim por exemplo ATUALIZAR essas médias e previsões? Porque se há uns 10 anos chove regularmente mais do que média prevista é porque essa previsão está meio furada né? Vamos internalizar que o clima mudou e que a vida agora é isso aí, quando chove, chove DE VERDADE.
Em um sábado de janeiro, por exemplo, fiz mais uma subida a Pedra Grande, mas no novo Modelo Econômico, ou seja, correndo 24K total ao invés dos acho que 28K da volta original. O segredo agora é parar o carro na padoca e economizar os intermináveis 2K de volta (2K na ida não se sente, claro), que parecem ser 10K porque acontecem no asfalto, já na cidade, depois que você já subiu e desceu a Pedra Grande, ou seja, seu cérebro acusa que o treino JÁ ACABOU E PORQUE DIABOS AINDA ESTOU CORRENDO?
Pois bem, estava eu feliz e despreocupada indo fazer este treino amigo –amigo de quem vai pro Cruce de los Andes, ou no meu caso, amigo dos amigos que vão pro Cruce– quando começou a chover. Até aí, tuuudo bem. Não era o caso de surpreender, já que andava caindo água diariamente em Atibaia.
Meu pensamento mágico me fez pensar que chuva significaria apenas outfit molhado e cabelo escorrendo. Um Singing in the Rain correndo. Mas minha miragem musical desconsiderou completamente a possibilidade de fazer frio. Quero dizer, estamos no verão, certo? Verão no Brasil, país tropical abençoado por Deus, não é isso que ensina a música? Chuva é normal no verão. Chove, mas não congela. Ahã.
Então primeiro, garoinha. Correndo pela estrada de terra batida, achei até legal –que bom, vai dar uma refrescada. Refrescada estilo Alaska. A chuva foi aumentando aumentando AUMENTANDO e o tempo fresco foi dando lugar a um friozinho que foi deixando de ser inho. Meus braços e mãos estavam gelados (eu super esperta não tinha levado nem meu querido manguito) e começou a dar um efeito que parecia bastante com uma epidemia zumbi: um certo amortecimento geral, especialmente dos neurônios, naquele modelo onde você tem que pensar uns minutos para responder seu nome, unhas ficando arroxeadas, passadas desacelerando. Além disso eu estava com o tênis mais inadequado do mundo para esse treino –um Nike free training solado 3.0, nascido para provas de velocidade no asfalto, com grip ZERO e tão liso que era quase um skate. Mas era roxo e verde limão, então tudo bem.
Ali eu quase parei – estava no KM 13, ou seja, em termos de quilometragem voltar ia dar meio que na mesma, mas pensei que nem tinha começado o trecho mais íngreme do treino (aquele que realmente escorrega) e que no alto da Pedra ia estar BEM mais frio e vento. Só não parei porque meus companheiros de treino viram a minha dificuldade de fazer sinapses e resolveram todo esse dramalhão mexicano me emprestando a blusa de Renato que ficou um excelente vestido corta vento.

A partir da daí minha vida mudou, o mundo voltou a ter cor e sons, voltei a sentir meus dedos e o treino foi só alegria, considerando que alegria inclui ter um amigo como o Aloysio que quanto mais escorregadio, barrento e difícil ficava mais a felicidade transbordava de seu ser encharcado.
No final do treino, todos felizes e sem arrependimentos, rolou um momento-de-reflexão-durante-o-café, onde mesmo gente que estranhamente não toma café observou que correr na chuva era ótimo mesmo e que tinha esquecido disso. O bom de ser da corrida de montanha é que a natureza volta e meia te lembra deste prazer, as vezes de forma boa as vezes nem tanto.
Correr na trilha impede que você vá ficando coxinha e achar que “se chover não vou treinar” ou “se chover não faço a prova”. Chuva é só uma das coisas que fazem parte, junto com o visual, a temperatura, os bichos que você sempre enxerga aqui e acolá (de cães a macacos). Ademais, como sempre dizia minha avó, não-sou-de-açúcar-não-derreto-na-água.
Maaaas, todavia, contudo, entretanto não custa evitar o mico leão dourado que eu paguei nesse treino e lembrar sempre de levar:
- uma blusa (que pode ser um corta vento ou um impermeável desde que levíssimo e compacto)
- se já estiver meio friozinho vale um manguito
- comidinhas (essas não esqueço nunca, mas sugiro variar do gel, barrinhas e balinhas e levar…adivinha só… COMIDA)
- se for correr em lugar onde tem sinal, recomendo levar celular, especialmente quem corre sozinho, mas embrulha o cel em ziplock ou saco estanque para ele não chegar afogado no final do treino. aproveita e usa o danado para fazer a foteeenha da vitória do treino.
- água (a não ser que vá correr num lugar com vários pontos de água)
- faixa elástica (não ocupa espaço quase nenhum e te salva se torcer o pé ou o joelho pegar)
E se chover faz como minha amiga Vivi e manda um TÁ CHOVENDO IUPII!.
Este texto foi escrito por: CORREDORA ZEN 🙂