
Já que corrida por aqui anda meio difícil nas últimas semanas (isso não quer dizer que parei de correr), vou contar uma aventura envolvendo outros esportes, afinal correr abre o coração pra fortes emoções. A aventura foi na Itália, nos Alpes Cermis, a estação que ficamos é localizada numa cidadezinha chamada Cavalese. Nos hospedamos a 2 kms, num outro vilarejo chamado Castello di Fiemme, lá vivem menos de 1.500 habitantes. Brasileiros por lá são raros, aquela “praia” é freqüentada por italianos vindos de outras regiões e alemães.
E foi assim:
Estive por dois dias na estação de ski e com todo esse tempo foi difícil me profissionalizar em algum esporte que a neve proporciona. Sim, eu podia ter uma experiência melhor se tivesse focado em um esporte durante os dois dias… mas eu quis provar o snowboard e depois o ski.
E se me perguntarem qual é o mais fácil, eu digo: os dois são exatamente iguais pra quem pega a “bicicleta” pela primeira vez. Posso dizer que o ski tem seu charme na hora de encaixar a bota ao contrário do snow que pra encaixar a bota na prancha é bunda na neve mesmo.

Treinei apenas um dia cada esporte, no primeiro foi o snow, onde fiquei só na escolinha, com a galerinha de 5 anos, que davam um olé em mim. E no segundo dia, com o ski nos pés me vi diante da ultima oportunidade de descer a montanha. Treinei algumas horas na escolinha, e claro que isso não significou que eu estava pronta, mas também não dizia, pelo menos pra mim, que era é impossível.,… Lá fui eu pra montanha, pensando que por vezes eu conto com a sorte, com meu otimismo exagerado e com a minha pseudo loucura.

Chegando no início da pista, o Henrique me deu algumas instruções e tentou me acompanhar no começo da descida, mas parecia tudo sob controle e achei melhor ele ir embora pra aproveitar a descida, pois a estação estava a poucas horas de fechar. Só que quando ele foi embora parece que a descida aumentou cem vezes mais, e assim começou a seqüência de tombos mais longa da minha vida. Eu capotava feio no chão, rodopiava na neve, me levantava, continuava, quando sentia que estava pegando velocidade me jogava no chão, eu pensava menos velocidade, menos dor.
De repente encontrei uma encruzilhada, caída na neve, tremendo, eu me perguntava qual era a pista que deveria seguir. Lembrei do Henrique falando sobre o mapa, ele dizia que as pistas pretas eram perigosas, indicadas só pra profissionais. – E se uma daquelas fosse a preta? Pensei em arrancar o ski do pé e descer a montanha correndo, mas percebi que seria impossível, depois olhei pra trás e pensei em subir de novo, que preguiça…
Então, eu seguia caída na neve refletindo, quando um senhor me abordou na montanha e disse: É sua primeira vez? (mas como ele sabia disso?) Ele olhei pra ele com os olhos arregalados e ele disse mais: É perigoso pra você! Provavelmente ele viu meu espetáculo descendo o primeiro trecho da montanha … no estilo bezerro recém nascido.
Depois de papear com o senhor, ele me convenceu que a pista da esquerda seria melhor pra uma pessoa com meu “potencial”. Na seqüência a mulher dele chegou, acompanhada da filha. Eles contaram que eram alemães e a mulher perguntou de onde eu era…. Falei que era brasileira e eles ficaram surpresos. Diziam entres eles: – Ela é brasileiraaaa!
Agradeci e segui pela pista da esquerda. Fui morrendo de medo, a pista era estreita, sem tela de proteção, um terror… Eu ia pensando: freia, freia, freia, totalmente desordenada, De repente a família reapareceu, eles estavam me seguindo… Acho que eles ficaram preocupados e começaram a me ajudar, tentavam dar dicas, me proteger, eles foram bem legais.
Chegando na ultima descida, paramos e conversamos um pouco mais. Sorri, arranquei o ski das botas e disse que iria fazer a ultima descida andando… O alemão respondeu que era melhor. Então eu disse: Eu sou louca… é muito pra mim! E eles responderam dando gargalhadas: – É demais mesmo! Pra finalizar a conversa, o alemão disse que eu era muito corajosa… Não esqueço da voz dele dizendo – You’re brave! Agradeci e fui embora, sentindo um tipo de orgulho daqueles de quem pelo menos tentou.

Haaaa posso dar dicas sobre ski?
Aqueles “palitos” não são usados pra frear.
Ta bom! Não tenho dica nenhuma pra dar, a única coisa que posso dizer é: Jamais deixe de tentar algo novo.
Este texto foi escrito por: PATRICIA GUIMARãES PEROTTO