Quando comecei a fazer triathlon, em 2000, sempre pensei a aul ponto poderia chegar em minha carreira. A pergunta que ronda a minha cabeça desde então é: “até onde eu aguento?”
Tenho orgulho de dizer que subi degrau por degrau: Fui um amador ao pé da letra, curtindo o esporte acima de resultados. Ganhei o geral amador do Trofeu Brasil. Briguei sempre pelas primeiras posições do mesmo Troféu Brasil, mas como profissional. Disputei provas fora do país contra os melhores do mundo e conquistei ótimos resultados internacionais, Subi para a distância do 70.3 Ironman e fiz provas boas e ruins (até aprender) e consegui um Top 5 e uma classificação ao Mundial….
Sempre tive uma rotina extremamente complicada, dado que tive que conciliar tudo isso com trabalho em mesa de operações em banco, faculdade, pós graduação, família amigos… ufa. Talvez por isso ainda não tinha me aventurado em “águas mais turbuletas e desconhecidas”, que são as provas que considero “Extreme” em nossa modalidade.
Em agosto de 2011, após um DNF na prova do 70.3 Ironman Brazil, me sentia cansado e desanimado. Meu corpo parecia que queria algo diferente de tudo isso que eu estava acostumado. Veio a decisão de fazer o Ironman Brazil 2012 e as provas mais difíceis nas distâncias longas, como o GP Extreme. Confesso que não tinha a mínima idéia do que seria pedalar mais de 120km, correr cansado, nadar “afundando” o quadril… Bom, quem já fez o treinamento desta prova sabe do que estou falando.
Se eu pensasse no que tenho feito há um ano atrás, provavelmente acreditaria que seria difícil cumprir e render com toda esta agenda…
Até agora foram:
4 – provas, sendo:
2 – olímpicos (um 10º lugar Internacional e 6º lugar Troféu Brasil)
1 – Short (3º colocado, sentindo a falta de velocidade)*
1 – 1000m/100km/10km (GP Extreme – 4º colocado, sentindo a resistência melhor)*
* as duas últimas, em dias seguidos, com um espaço de descaço de 12hs apenas.
Para emendar, apenas 5 dias depois tive 180km de bike + 4km run, tendo que encaixar quase o ritmo que pretendo fazer na prova…
O que eu quero que o leitor entenda com isso tudo, é o de como menosprezamos nossa capacidade de superar desafios. Eu nunca imaginei que, com a rotina que tenho, conseguiria segurar esta rotina tão forte por tanto tempo. É claro que tudo tem que ser muito planejado, e não poderia chegar a meu objetivo para esta temporada, sem a ajuda certa: o “guidance” do grande Marcelo Ortiz, o apoio nutricional da Total Nutrition (Dr. Reinaldo Tubarão Bassit, tem me salvado nos treinos longos!!!) e muito, muito mesmo apoio da minha esposa…
Espero estar no caminho certo. Tudo vai ser colocado a prova em 27/05, em Floripa. Talvez nesse dia eu descubra uma nova pessoa, um novo Guto Antunes…. Como dizia meu pai, na vida a gente tem que “tacar o pau” e ir pra cima. Se for necessário, do jeito que acreditamos ser certo. Eu acredito estar no caminho certo!
Esse fim de semana estarei nos 21km da Corpore, encaixando o ritmo que pretendo fazer no Ironman. Vamo que vamo!
Grande abs e bons treinos,
Guto Antunes
Este texto foi escrito por: GUTO ANTUNES