5 metros… Cruéis e Infinitos.

Redação Webrun | · 15 mar, 2012

Ser atleta profissional de triathlon é maravilhoso e ao mesmo tempo cruel. Muito cruel. Este tem sido meu pensamento desde domingo, quando terminei oTtroféu Brasil de Triathlon, em Santos-SP

O objetivo da prova era o de encaixar mais um treino forte, afinal o esforço para o treinamento de Ironman tem me tirado muita velocidade e disposição das pernas. Mas quem falou que quando largamos em uma prova grande conseguimos encarar apenas como um treino?

Esse é um grande paradoxo em nossa carreira. Não importa o dia que estamos, não importa a fase de treinos que estamos e não importa as dificuldades impostas. A partir do momento em que alinhamos na faixa de largada para um triathlon, você é marcado por adversários, observado por espectadores e está representando sua cidade, patrocinadores e seu país. É exatamente neste momento que sua alma se transforma… Atletas profissionais são condicionados a dar sempre o seu máximo. É uma mensagem já registrada em nosso interior.

A prova começou e não foi diferente… Fui pra cima na natação, segurando uma ótima natação no segundo pelotão. O corpo doía, mas a alma reagia. Sim,.. O “Guto Antunes” do triathlon olímpico estava vivo! Parecia vir uma grande prova pela frente. No ciclismo, mantive uma velocidade constante e fui tirando tempo das primeiras colocações. Sabia que na corrida poderia aprontar alguma surpresa, afinal eu estava muito resistente principalmente na parte final de meus treinamentos (fruto das longas rodagens do Iron). Briguei muito. Fui atacado e ataquei. Sofri, reagi, lutei. No km 7,5 estava em sexto, muito próximo do atleta Marcus Vinicius e Danilo Pimentel. Alcancei o Marcola faltando 1,5km para o final…. É aí que começa a parte mais longa e cruel da prova.

Resolvi marcar ele e ir para o sprint final… Assim como na USP, no ano passado, onde duelei por 1km num sprint final incrível com o Antonio Manssur (e havia me prometido nunca mais deixar para decidir a prova no km final), resolvi esperar e atacar na hora que meu coração mandasse. Com exatos 1km, ataquei. Com tudo. Não pensava em nada, apenas na minha família. Minha esposa apareceu com minha filha Luiza no colo. Acelerei para 110% do que eu tinha condições. Tinha certeza que o pódio era meu. Era uma força imensa, que nunca havia sentido. Mas cometi um erro. Assim como na USP, puxei o sprint final inteiro e não vi em qual lado meu adversário estava. Ele sim: me via e me marcava. Em 5 metros, deu 3 passadas decicivas e me venceu. Fiquei na sexta posição, com diferença de 5 segundos para o 4º colocado e apenas 2 segundos para o Marcola.

O público e a imprensa foram a loucura, gritaram e comemoraram nosso momento. Não importa quem venceu, nós lutamos e honramos quem assistia e quem nos apóia e o triathlon. Não sobrou mais nada de nós. Perdi o TOP 5 em apenas 5 metros…

Cruel para mim, maravilhoso para o esporte. Estar no profissional é isso. Na linha tênue o tempo todo. Entre o céu e o inferno. Entre a vitória e a derrota. E principalmente nunca estar satisfeito e pronto a buscar mais… sempre mais.

Rumo ao Ironman.

Grande abraço,

Guto Antunes

Este texto foi escrito por: GUTO ANTUNES

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