Quando o policial se inscrevepara participar de seleção para fazer um curso no BOPE, não sabe o que esperapor ele, cada curso é um curso, apesar de serem as mesmas instruções e técnicasa serem passadas, em cada um acontecem coisas diferentes dos outros.
Mas umacoisa que é certa quem consegue passar pela seletiva e começar o curso ganha umnúmero, a partir desse momento se deixa de ter nome e se tem o número. Prende-seo número na farda, na mochila, no short e principalmente na cabeça, ou seja, noboné que é chamado de cobertura.
Parece quequando o aluno ganha um número algo estranho acontece, vira outra pessoa, ouqualquer coisa sem explicação. Ultrapassam limites que a própria pessoa nãosabia que era capaz. A tal numeração se torna tão forte que mesmo depois deconseguir se formar no curso o número te acompanha, porque assim são chamadospelos companheiros.
Meunúmero foi o 18 e do Dantas foi 08, dois que conseguiram passar por tudo e seeternizar. Temos orgulho de carregá-los como sobrenome ou codinome. E isso étão forte que levo isso para as corridas e competições…
Como?
Naquelas horas que as pernas não aguentammais… Os pulmões parecem espremidos e não enchem de jeito nenhum, que asdores tomam conta de seu corpo… Nessas horas chamo o 18 para me ajudar, digoa ele parceiro agora é com você. E parece que as energias são recarregadas,muita coisa vem à cabeça e não me deixa desistir, como se o 18 tomasse conta dasituação e mais uma vez me levasse à glória…
Não sei afirmar se 1 e 8 juntospara mim é apenas o número dezoito, acho que existe alguém aqui dentro da mentee do coração que com certeza atende por esse nome…
Eu tenho uma mania que já é tradição,
de nunca me entregar, de nunca ir ao chão…

Este texto foi escrito por: RAFAEL SODRé GONçALVES