Nelson Evêncio

Graduado em Educação Física. Pós-graduado em Treinamento Desportivo, Administração e Marketing

Graduado em Educação Física. Pós-graduado em Treinamento Desportivo, Administração e Marketing Esportivo. Treinador Nível II pela IAAF. Presidente da ATC- Associação dos Treinadores de Corrida de 2009 a 2017.

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Veja como aliviar a tensão antes de provas longas, como a maratona

Há muitos anos fizeram uma pesquisa para medir o nível de estresse de paraquedistas durante os dias antes dos saltos e chegou-se a conclusão que, tanto os mais experientes, quanto os inexperientes, ficaram ansiosos em épocas pré-salto. A diferença notada foi que os mais experientes ficaram ansiosos dias antes e, ao aproximar-se do dia do salto, foram relaxando. Já os inexperientes, que estavam calmos no início, foram ficando cada vez mais estressados, conforme foi chegando a grande daata.

Achei bem interessante este estudo, pois a mesma situação pode ser observada em maratonistas. É perceptível que os corredores que irão fazer sua primeira maratona vão ficando mais nervosos conforme a prova vai chegando, sofrendo do famoso “medo do desconhecido”. Já aqueles que fizeram a prova uma ou mais vezes, vão se acalmando conforme se aproxima o “dia D”.

O grande diferencial é que, por a maratona ser uma prova longa (42,195 metros) e sofrer muita influência do clima e percurso onde acontece (além, é claro, do corpo humano não ser uma máquina programável que responda ao nosso comando sempre como gostaríamos), a coisa acaba não sendo tão previsível, mesmo que o corredor tenha treinado muito bem e que já seja bem experiente.

Aumentando a confiança- Não sou profissional de psicologia esportiva como minha amiga Carla di Pierro, meu amigo Roberto Shinyashiki e agora também minha amiga treinadora e ex-corredora de elite Eliana Reinert, que possuem amplo domínio sobre o assunto, mas como treinador de maratonistas há muitos anos e também corredor, digo que um bom treinamento e uma boa nutrição já fazem total diferença e dão confiança para que esta tal “tensão pré-maratona” seja amenizada. Com diz o grande pensador John C. Maxwell, “a preparação é o maior aliado da coragem e o pior inimigo do medo”.

Rodagem mínima- Há um nível mínimo de treino suficiente para a conclusão de uma maratona sem pretensões de tempo. Nos meus estudos com dezenas de corredores na distância nestes anos, quilometragens semanais na casa dos 60 a 65, mais um treino longo de 24 a 26 e posteriormente um de 30 a 32 quilômetros já garantem a conclusão sem problemas. Houve casos de sub 4h logo na 1ª maratona com 65 quilômetros semanais, um longo de 24 e apenas mais um longo de 30. E também, casos de pace sub 5min/km com “apenas” 70 quilômetros semanais.

Estabeleça metas- Fazer provas preparatórias também gera muita confiança e uma das coisas que aprendi com o tempo e que tenho levado em mente para usar na Maratona de Berlim (30/09), que correrei, é estabelecer pelo menos três metas para a prova e não uma só, como muitos fazem e perseguem quase que obsessivamente. Deve-se estabelecer, por exemplo, terminar a prova como primeira meta. Como segunda, terminar em um tempo considerado bom para o nível técnico e como terceira meta, terminá-la em um tempo desafiador, que seria considerado “o tempo dos sonhos”.

Quando o corredor estabelece somente uma meta, se por acaso não alcançá-la, mesmo em função das condições climáticas ou de não ter acordado em um dia bom, pode ficar frustrado e pensar equivocadamente que não valeu a pena ter treinado tanto. Ou então não valorizar o fato de ter participado e concluído, como infelizmente muitos tem feito ultimamente em função até da badalação que algumas mídias e marcas promovem aos amadores com performances mirabolantes, fazendo até com que alguns lamentavelmente apelem para o uso de recursos ilícitos, como o doping.

A receita- Treinando bem, acompanhado de um bom profissional de Educação Física, fazendo alimentação e hidratação corretas, orientado por uma boa nutricionista e estabelecendo metas intermediárias que não sejam unicamente fazer um “mega tempo”, esta tensão pré-prova será cada vez menos prejudicial e a corrida se desenvolverá muito mais fácil. Mas vale lembrar que toda esta imprevisibilidade dá um grande barato ao desafio e que, se não houver o mínimo de ansiedade e medo da coisa não sair como programada, não haverá graça em participar da maratona. Como diria outro grande pensador, chamado Robert H. Schuller: “Se não existe a possibilidade de fracasso, então a vitória é insignificante”.

Acesse o hotsite em que Nelson Evêncio conta sobre a preparação para a Maratona de Berlim: brasil.puma.com/voucorrerumamaratona.

Maratona · 26 set, 2012