
Sevrey foi a campeã em Recife (foto: Paulo Gomes#8260; www.webrun.com.br)
Neste domingo (30⁄10), foi realizada em Recife a 3ª Maratona Internacional Maurício de Nassau. É a maratona de maior premiação no Brasil e uma das referências de grandes corridas de rua no Nordeste.
Direto de Recife– O corredor Edson Amaro dos Santos venceu a Maratona Maurício de Nassau, em 2h23min40, superando o temido queniano Katui Kipkemoi que abandonou a prova. Entre as mulheres, a vitória foi da queniana Sevrey Jelagat (2h48min57). Marily dos Santos, que buscava o tricampeonato, ficou com a segunda colocação.
O dia começou quente na capital pernambucana. Às 5h30 o sol já estava alto e a temperatura beirava os 25°C. Às 7h05 foi dada a largada geral no Marco Zero de Recife e em pouco tempo o pelotão de frente ficou com seis atletas. Jair José da Silva, que venceria a Meia Maratona, puxou o ritmo desde o início e foi acompanhado pelos rivais Josueldo Nascimento e José do Nascimento Souza, servindo como coelho para os maratonistas Ubiratan dos Santos favorito brasileiro , Edson Amaro e Katui Kipkemoi.
À medida que os meio maratonistas foram apertando o ritmo, Ubiratan, Edson e Katui ficaram para trás. O queniano, inclusive, chegou a parar e sair do percurso, mas logo voltou a correr.
Ubiratan foi apoiado pelos corredores locais que cruzavam o sentido oposto da Praia de Boa Viagem, com gritos de incentivo Vai Bira, Vamos Ubiratan e Dá-lhe Brasil eram os mais falados e consolidou-se na liderança. O contato visual com o segundo colocado já não existia e Bira só foi vê-lo no retorno, na altura dos 32 quilômetros. Nesta altura, era Edson Amaro quem ocupava a posição, seguido à distância pelo maratonista queniano.
Com a temperatura em 27°C, Ubiratan passou a mostrar sinais de desgaste. A expressão não denotava mais confiança, o ritmo foi caindo consideravelmente e a larga vantagem foi diminuindo. No 39º quilômetro, Edson o ultrapassou e seguiu firme para cruzar a linha de chegada em primeiro.
Eu trabalhei um ritmo diferente do que eles começaram a impor, sabia que quem saísse forte iria sofrer no final, conta o vencedor, natural de Juazeiro, na Bahia, mas que treina em Petrolina, no interior pernambucano.
Calor pesou– Marciano Barros, treinador de Edson, reconhece que o clima que tanto castigou os corredores acabou favorecendo seu atleta. Passamos o ano inteiro em uma cidade que praticamente não chove. Ele estreou em 2012 em maratonas com um quarto lugar em Santiago (Chile), com 2h16min40, o recorde pernambucano. Hoje sua força de vontade o fez buscar uma belíssima vitória.
O queniano Katui Kipkemoi parou no 32º quilômetro. Estava bem treinado, mas está muito quente e úmido, lamenta. Senti as minhas pernas no 20º quilômetro e depois no 32º. Foi muito quente para mim, no Quênia quando faz calor é 20, 18°C, revela.
Fabiano Gomes, terceiro colocado, pensou durante a prova: Aqui vai subir no pódio o atleta que cuidar de sua hidratação. O atleta da Pé de Vento soube se preservar e foi o terceiro. Quase peguei o Ubiratan nos 100 metros finais, mas estou satisfeito com a terceira colocação.
Ubiratan, que liderou a maratona quase em sua integridade, evita lamentar. O calor pegou, senti uns calos feios nos dois dedos mindinhos, mas estou feliz. Venho competindo bastante, botei 800 metros na frente, mas tive que maneirar e ele conseguiu encostar, resume o fundista, que correrá a São Silvestre.
Confira na próxima página como foi a prova feminina e os resultados dos cinco e dez quilômetros, Meia Maratona e Maratona.
Com largada às 7h, a prova feminina foi puxada pelas quenianas Tabitha Kibet e Sevrey Jelagat. Marily dos Santos, bicampeã, seguiu as africanas de perto, mas não renovou o título, ficando com a segunda colocação (2h53min33).
Estou acostumada a correr neste sol, foi normal, diz a alagoana, alegando que não foi o calor que a abateu. “Estou em sequência de provas, lidero o ranking brasileiro. Não é para qualquer uma ser a segunda em uma maratona destas, correndo contra quenianas descansadas que não são as mesmas que enfrentei há um mês, justifica.
Sevrey Jelagat, vencedora com 2h48min57, conta que sentiu dores no lado esquerdo do quadril na altura do quilômetro 35 e diminuiu o ritmo, mas conseguiu manter até o final. O percurso é ótimo, não senti o calor e nem o vento, mas sim a umidade, afirma a africana, que deve correr também a Maratona de Curitiba (18/11).
Já Tabitha Kibet, vice-colocada em 2011, analisou que fez a estratégia errada, de acordo com seu treinador Luís Antônio dos Santos. Eu falei para ela ir com o grupo das três (ela, Marily e Sevrey), mas ela fez errado, saiu na frente e depois reclamou de sentir as pernas. Só não parou por causa da premiação, que vai pagar a passagem dela, continua o dono da equipe Luasa e ex-maratonista olímpico brasileiro.
Ela que pediu para correr aqui. Eu não a traria, mas ela quis vir. Ela não reclamou do calor, de nada, ela está bem. Este resultado (2h58min04) foi porque forçou no início, encerra.
Confira o resultado da Maratona Maurício de Nassau 2012:
Masculino
Feminino
Meia Maratona Masculino
Meia Maratona Feminino
Dez quilômetros Masculino
Dez quilômetros Feminino
Cinco quilômetros Masculino
Cinco quilômetros Feminino
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes