
Magrinho na Patagônia Run: fronteira da Argentina com o Chile (foto: Arquivo Pessoal)
Em 14 de abril, foi realizada a Patagônia Run, em San Martín de los Andes, cidade argentina próxima à fronteira com o Chile. O evento contou com seis provas diferentes de corrida de montanha: dez, 21, 42, 63, 84 e 100 quilômetros. Carlos Magno Cruz, o Magrinho, foi um dos muitos brasileiros que participou e relata aqui a sua experiência.
Logo nos primeiros metros um bloco de seis corredores se destacou do resto. Com apenas 20 quilômetros (participei da prova de 84) minhas mãos já estavam congeladas, meu gel e minha água tinham virado pedra. Também tive problemas com as minhas coxas, comecei a sentir cãibras.
O frio era intenso, eu fiz toda a minha preparação nas trilhas de Niterói e Maricá (RJ), com temperatura por volta dos 35 graus, e senti o peso da baixa temperatura da Patagônia argentina.
Na grande subida, meu corpo não aguentava mais de tanto frio. No meio da montanha, com gelo, não conseguia mexer direito nenhuma parte do meu corpo… Estava tudo congelado! Os caras da frente começaram a abrir e logo sumiram da minha vista.
Neste ponto eu já pensava só em completar. Quando cheguei no pico da montanha, me avisaram que estava -10°C. Pelo menos agora era descida, pensei que seria mais fácil. Errei! A descida era pior do que a subida, quase uma parede e não dava pra descer correndo devagar, pois escorregava muito e nem descer rápido porque minha musculatura não respondia de tanto frio.
Depois da montanha, o sol começou a aparecer e ficou um pouquinho mais quente. Uns dois graus negativos. Tive ainda uma surpresa no meio do percurso, se refrescar num rio com água que parecia um gelo derretido – isso tudo e ainda não havia chegado aos 42 quilômetros, onde estava minha bolsa estava com pertences e comida descongelada.
Enfim cheguei, troquei meu tênis, minha meia, comi e tomei café. Parti para a etapa final. Comecei a me sentir bem melhor, pois neste momento tinha sol e a temperatura beirava o positivo. Sem pensar muito comecei minha busca aos adversários e lá pelos 60 quilômetros ultrapassei três adversários.
Nos últimos cinco quilômetros eu fiquei perdido, pois tudo estava meio embolado, se misturando aos atletas das outras distâncias menores. Me disseram que eu estava na quarta colocação.
Me sentindo bem melhor do que a primeira metade, forcei para chegada ultrapassando mais um. Quando entrei no corredor final, de uns 800 metros, o locutor começou a falar o meu nome: Carlos Magno do Brasil, segundo puesto!
Fiquei muito emocionado e feliz por ter representado meu País muito bem. A galera vibrava muito. Agora, só tenho que agradecer a todos que me ajudaram. Obrigado!
Magrinho é funcionário do Centro Auditivo Telex, do Rio de Janeiro e atleta da equipe de corrida da Telex.
Este texto foi escrito por: Carlos Magno Cruz