
O cigarro gera uma dependência química no cérebro do fumante (foto: Francisco Iurcovich/Licença Creative Commons)
A opinião entre médicos e ex-fumantes é unânime: fumar faz mal à saúde. O difícil mesmo é convencer quem já adquiriu o hábito (e o vício) do cigarro. A decisão não é simplesmente por parar de fumar, mas por livrar-se da dependência química do fumo. O processo pode demorar, mas os resultados são infinitamente satisfatórios.
Leia no blog da nutricionista Bruna Iasi algumas dicas para ex-fumantes
O efeito do cigarro leva oito segundos para chegar ao cérebro e dura em torno de uma hora e meia, duas horas. Isso cria uma dependência química no cérebro que dificulta a abandonar o fumo, explica o Dr. Nabil Ghorayeb, colunista do Webrun, médico especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte.
Um efeito tão rápido que pode gerar consequências a longo prazo. Calcula-se que, no Brasil, 200 mil mortes por ano acontecem em consequência do tabagismo. Doenças como câncer de pulmão, de estômago, de mama e também derrame cerebral, enfarte do miocárdio e impotência estão relacionadas ao fumo.
Além de terapias e remédios, Dr. Nabil sugere a atividade física como grande aliada durante e depois de largar o vício. O cigarro atrapalha a respiração e, consequentemente, a performance física das pessoas. Não dá para fazer esporte fumando, frisa.
Esporte como incentivo – O professor de educação física Márcio Aldecoa é especialista em atendimentos específicos para fumantes que desejam largar o vício. A prática do exercício físico estimula a produção de endorfinas que dá sensação de bem-estar no primeiro momento. Com o tempo, automaticamente melhora também a autoestima, explica.
O triatleta amador Kleber Corrêa bem que tentou conciliar suas corridas com o fumo. Ele começou a fumar quando entrou na faculdade, aos 20 anos, e entre três maços de cigarro por dia e cinco aos finais de semana, foram oito anos fumando e correndo!
Eu ia para as corridas e, enquanto o pessoal estava fazendo aquecimento, eu estava fumando. No final, enquanto eles se alongavam eu também estava fumando, conta.
O cigarro não parecia um empecilho em sua vida de corredor até que Kleber se interessou pelo triathlon. A hora que eu comecei a pedalar e nadar eu vi que realmente era impossível conciliar, admite o triatleta, que se motivou a participar de um Ironman (3,8 quilômetros de natação, 180 de ciclismo e mais 42 de corrida) ao acompanhar os treinos de um amigo.
Eu não fumava só porque era viciado, eu gostava. Mas acabei conhecendo um vicio um pouquinho melhor, analisa, em referência ao triathlon.
No dia 14 de fevereiro de 2006, Kleber fumou o seu último cigarro. No dia que eu acordei no meu aniversário de 28 anos eu falei: hoje é meu último dia, conta.
O esporte ajudou para que o processo de resistir ao cigarro fosse mais tranquilo para Kleber. Dois anos depois, ele procurou uma assessoria esportiva e em 2008 completou o seu primeiro Ironman. Entre largar o cigarro e fazer meu primeiro Ironman foram dois anos e dois meses.
Um ex-fumante não pode brincar – Os benefícios de ficar sem fumar podem ser sentidos nas primeiras horas. Assim como é normal que as pessoas que param de fumar comecem a engordar um pouco nos primeiros meses sem o cigarro. O apetite volta, a pessoa sente melhor o sabor dos alimentos e tem mais vontade de comer, explica o Dr. Nabil.
Além de ter vontade de comer, um ex-fumante pode ter suas recaídas e vontade de fumar de novo, justamente pela dependência da química do cigarro. Um ex-fumante não pode brincar. Se ele brincar e pegar um cigarro, ele vai voltar a ser fumante. Mesmo com o esporte [motivando], tem que tomar muito cuidado, comenta o triatleta.
Este texto foi escrito por: Fabiana Coletta