Foram oito meses de treinamento, 40 fundistas como companheiros de treino e duas vacas. Esses são alguns dos números da temporada de preparação de Wilson Kipsang, segundo maratonista mais rápido do mundo, para a Maratona de Berlim, que acontece nesse domingo, 29/09.
Apontado como franco favorito da prova desde a desistência do recordista mundial Patrick Makau em função de uma lesão no joelho o queniano ainda pretende correr abaixo da marca de seu compatriota na capital alemã.
Porém, ele afirma que as condições da prova precisam estar perfeitas para a marca de 2h03min38 cair. Se a temperatura estivar entre dez e 19°C e não estiver chovendo muito ou com muito vento contra, vou correr para baixar o recorde, afirma. Caso consiga o novo melhor tempo, ele se tornará o terceiro queniano a figurar no topo da lista de maratonistas mais rápidos do mundo.
Kipsang esclarece que em 2011 o objetivo ao correr a Maratona de Frankfurt era de finalizar o percurso abaixo de 2h03min59 (na época recorde do etíope Haile Gebrselassie, que foi quebrado quatro semanas antes da largada de Frankfurt por Makau, na Maratona de Berlim). Eu não tinha imaginado que Makau poderia superar o recorde, mas eu fiquei feliz por ter corrido 2h03min42 naquele ano. Eu havia treinado para isso e atingi meu objetivo, explica o fundista.
Queniano Wilson Kipsang levou oito meses, utilizou 40 companheiros de treino e mais duas vacas para se preparar para Berlim – Foto: Tom Page/ Licença Creative CommonsAs duas vacas– Há cerca de um mês era certo que Kipsang e Makau se enfrentariam diretamente pelas ruas de Berlim com o objetivo de correr abaixo de 2h03min. Porém, com a lesão do atual recordista mundial a busca por um novo melhor tempo foi posta em dúvida pela mídia. Mas Kipsang ainda não desistiu desse objetivo.
Assessorado por aproximadamente 40 fundistas que o acompanharam em diferentes partes do treinamento, o ex-policial explica de forma simples qual a função de cada um desses ajudantes. Os atletas são pace makers. Alguns correm até 15 quilômetros, outros 20, 35 e o restante finaliza o treino de 45, por exemplo, detalha o medalhista de bronze em Londres-2012.
E as vacas? Por questões políticas, alguns produtos de subsistência no Quênia, como o leite, estão sendo taxados pelo governo local, aumentando o preço de venda final. Portanto, para ajudar na economia da família, e na sua própria nutrição durante os períodos de treinamento, Kipsang tem duas fontes naturais de leite em sua fazenda. Um atleta precisa muito de leite e isso tem se tornado caro aqui, simplifica.
Este texto foi escrito por: Webrun