Em eventos de endurance, onde os atletas realizem um esforço contínuo com longo tempo de duração, 30 a 50% dos participantes podem sofrer um ou mais sintomas gastrointestinais, o que vem sido frequentemente interpretado como resultado de má digestão, má absorção, mudanças no trânsito do intestino delgado, ingestão inadequada de alimentos e líquidos e, mais recentemente, de alterações da permeabilidade intestinal e disbiose. A disbiose pode ser definida como um estado de ruptura do equilíbrio da flora intestinal que pode acarretar um prejuízo na digestão da dieta e na absorção de vitaminas e nutrientes.
O exercício físico caracteriza um deslocamento do fluxo sanguíneo do trato gastrointestinal (TGI) em direção ao grupo muscular utilizado e aos pulmões.
A capacidade do atleta de atingir a performance máxima é resultado direto do treinamento físico e muscular, tolerância ao estresse muscular e sistêmico, controle e regulação da função imune e adaptação ao estresse físico. Neste sentido, o TGI também participa do sistema que controla e regula a adaptação e regeneração do atleta. Um sistema imune gastrointestinal equilibrado pode proteger o atleta de patógenos prejudiciais.
A ruptura do equilíbrio da flora intestinal acontece frequentemente. Foto: underdogstudios/FotoliaOs sintomas mais frequentes causados pelo exercício de alta intensidade são: azia, distensão abdominal, eructação, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, urgência para defecar, diarreia e constipação.
Durante a atividade física intensa e prolongada, há um aumento da susceptibilidade ao estresse físico, emocional e oxidativo, a danos musculares e ao comprometimento do sistema imune, que são fatores considerados causadores da disbiose, principalmente quando aliados a uma dieta inadequada.
Isto ocorre devido à alta formação de radicais livres no exercício proveniente do metabolismo hormonal, à formação de ácido lático, à degradação proteica e ao estresse mecânico causador de danos musculares e estruturais que geram uma resposta inflamatória em consequência ao estresse oxidativo.
O princípio básico é ter um intestino saudável, para que a oferta de energia e nutrientes dietéticos sejam bem digeridos e absorvidos. Para isto, é necessário que os atletas e praticantes de atividade física preconizem uma alimentação mais orgânica, rica em alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios e isenta de possíveis alérgenos alimentares.
Dessa forma, o uso de probióticos e pré-bióticos são necessários para a recuperação do equilíbrio intestinal, pois diminuem o pH intestinal, melhora a absorção de nutrientes, vitaminas e minerais, além de melhorar os marcadores inflamatórios.
REFERÊNCIAS
1) ALBUQUERQUE, I; PERUCHA, V. Aumento da permeabilidade intestinal em a atletas. Nutrição Saúde & Performance; 7(32):38-45, 2006
2) ALBUQUERQUE, I. Uso de probióticos em pediatria. Nutrição Saúde & Performance; 7 (30): 50-57, 2006
3) OLIVEIRA, E.P.; BURINI, R.C. The impact of physical exercise on the gastrointestinal tract. Curr Opin Clin Nutr Metab Care;12:533-538, 2009
4) GUPTA, V.; GARG, R. Probiotics. Indian J Med Microbiol. 27(3):202-9, 2009.
Este texto foi escrito por: Telma Ranalli