
Trecho na avenida Escola Politécnica é momento psicológico delicado (foto: Paulo Gomes#8260; www.webrun.com.br)
Heptacampeão da Maratona da Disney, Adriano Bastos é um dos fundistas brasileiros que mais compete ao longo do ano. Não importa se são cinco, dez, 21 ou 42 quilômetros, ele está sempre correndo as mais diversas provas da temporada.
No domingo (17/06), disputa a Meia Maratona de Floripa, na capital catarinense. Mas aproveita para aconselhar todos os participantes de uma prova que já enfrentou diversas vezes, a Maratona de São Paulo.
Erros comuns de iniciantes– Quem vai estrear na distância deve seguir uma dica valiosa de Bastos. A pessoa tem que respeitar o ritmo mais lento de uma maratona. Ela corre em um pace mais devagar do que o de costume, mas acha que o conforto é excessivo e acaba acelerando. Depois na segunda metade vai ter que fazer mais força para manter, adverte.
O fundista explica que isso ocorre muito com seus alunos, que recebem a orientação de correr em determinado ritmo e, passados os primeiros quilômetros, arriscam ir mais rápido. Eles sentem que está fácil demais e aumentam a velocidade, aí no quilômetro 25 já estão se arrastando, brinca Bastos.
Ansiedade– Uma maratona traz mais ansiedade do que provas menores, oferecidas em maior volume. Para o fundista, é ideal que os participantes não alterem sua rotina habitual na véspera da prova. Segundo Adriano Bastos, no dia antes da competição:
E no dia da prova:
Percurso– O veterano corredor considera a Maratona de São Paulo uma prova plana. 90% é plano, o que pega é nos últimos seis quilômetros que tem os túneis e o impacto da subida é maior, porque o corpo já está desgastado, analisa.
Além disso, a variação de pressão e temperatura dentro de um túnel pode atrapalhar os menos acostumados. É abafado e deixa o corredor um pouco ofegante, tem que ter a consciência de que não é ele que está mal, assim que sair já dá uma renovada.
Bastos considera esse o ponto crítico do percurso, fisicamente falando. Mas cita os trechos internos da USP e a Avenida Escola Politécnica como um momento psicológico difícil. É uma parte monótona, sem público, que influencia o lado motivacional negativamente. Dos atletas profissionais que param, a grande maioria é nesta parte. Tem que trabalhar a cabeça.
Ao entrar na Avenida Pedro Álvares Cabral, onde está o Obelisco e a chegada da prova, restará menos de um quilômetro para o final. Se ainda tiver gás é o momento de apertar, para tirar alguns segundinhos. É uma prova que dá para a pessoa arriscar ritmo de recorde pessoal sem medo de altimetria, encerra.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes