Um texto interessante me chamou atenção esses dias. Nele o autor Rizzato Nunes fala sobre a questão da obesidade e dos direitos do consumidor. Ele atenta para um dado que não chamou a atenção devida da imprensa: a população brasileira com sobrepeso não para de aumentar. O Sr. Nunes é da área do direito e fala muito bem sobre sua especialidade. Mas aí caímos em outra questão.
A obesidade é um problema mundial (Globesidade) e para combatermos um problema, precisamos saber sua causa. Será que sabemos? Já falei aqui, que vêm desde a década de 1970 as tentativas de se combater o aumento de peso da população.
A quase totalidade das diretrizes dos diversos institutos de saúde mundo afora e as instituições de ensino pregam basicamente um menor consumo de gordura. A troca desse nutriente pelo carboidrato e maior atividade física para que aumentemos o gasto calórico.
Gordura e carboidratos têm se mostrado preponderantes no aumento do índice de obesidade – Cássio Oliveira/ Stock.xchngO mundo nunca fez tanto esporte e nunca comeu tão pouca gordura. Porém, nunca fomos tão gordos. E qual a conclusão dos gênios para melhorar o tratamento? Aumenta-se a dose de um remédio que nunca repito, NUNCA se provou funcionar.
No final de semana assistia a um conhecido programa de TV que tem um quadro temporário para perda de peso capitaneado por um profissional de educação física. Quais são suas orientações: as de sempre. Corte de gordura, mais frutas (carboidrato) e mais esporte. Enfim, basicamente aquilo que fazemos há 40 anos e não produz resultados.
Mas voltemos ao texto do Sr. Nunes. Ele não precisa entender de nutrição para falar sobre direito. Mas observando seus pontos nós vemos que não há como resolvermos um problema se não sabemos sua causa. Uma tendência atual de alguns governos é o de regular ainda mais o comércio, a disponibilidade e a veiculação de anúncios de refrigerantes e alimentos ricos em gordura esódio. Por quê?
Decidiu-se sem o suporte da Ciência que o que engorda quando você se entope de coxinha é a gordura, não o carboidrato (ou a farinha). Sem evidências concretas querem limitar o consumo de sódio porque se definiu que isso faz mal, então vamos cortar o refrigerante (rico em sódio e açúcar), mas incoerentemente promovemos a troca por sucos de fruta (igualmente ou ainda mais ricos em sódio e açúcar).
Pergunto:
Podemos discutir o crescimento da obesidade. Mas não se trata um doente se não sabemos qual o remédio, não se corrige um problema sem saber a causa. Não adianta trocar a meia de um corredor se você quer fazê-lo correr mais rápido.
Este texto foi escrito por: Danilo Balu