Olá Trail Runner, tudo bem? Há um tempo atrás escrevi sobre o comportamento do atleta Trail Run no Brasil. Após um período observando provas, conversando com alguns e lendo muito as postagens em redes sociais, consegui concluir parâmetros novos. Vou ser sucinto em cada tópico e em momento algum, me considero o dono da verdade.
Os atletas brasileiros ainda não têm o costume de frequentar o Congresso Técnico. Aparentam saberem de tudo, não tem dúvidas e muitas vezes, sequer leem o regulamento do evento. Depois, se algo acontece de errado (normalmente por culpa deles mesmos) se acham com total razão para reclamar.
Em relação à marcação de percurso, insistem em não observar as fitas! Insistem que querem staffs (babás) a cada curva, a cada bifurcação, e ao mesmo tempo, sonham em correr uma prova na Europa ou EUA, onde não há metade do número de fitas que existem aqui no Brasil. Muito menos staffs! Vale lembrar, que estar atento, é uma das características do Trail Run. Não confunda com navegação (prática da corrida de aventura).
Os atletas brasileiros ainda não têm o costume de frequentar o Congresso Técnico Foto: Brian Jackson/FotoliaPremiação: atletas antes de se inscreverem na corrida, ficam contando quantos inscritos tem na prova, quantos inscritos tem na sua faixa etária, para terem ideia se tem chance de pódio ou não. Virou uma obsessão! Com o aumento do número de provas, houve uma baixa no número de atletas em cada evento. Logo, quando se há premiação geral e por faixa etária, ficou relativamente mais fácil subir no pódio. Aprecie esse momento mas não faça disso uma obsessão! Não participe de provas por que tem mais chance de subir ao pódio. Participe de provas pois você acredita que a região é bonita, que o percurso é desafiador, que a organização é profissional, que o evento vai se preocupar com sua segurança e bem-estar.
Complementando esse aspecto, criou-se uma ilusão de competitividade e quando esse atleta deixa de conseguir um pódio, entra em depressão, não curte mais a sua chegada, quer logo ir embora, não quer prestigiar aqueles que foram ao pódio e por aí vai.
Cordialidade: houve clara evolução nesse aspecto! Os atletas se cumprimentam mais, conversam e batem papo com os staffs dos Postos de Controle, estão sorrindo mais, há bem menos lixo no percurso (já limpei percursos com 0 de lixo!). Obviamente há ainda gente mal-educada, mas com certeza é minoria. Os atletas estão conseguindo colaborar com o crescimento da modalidade, muitos inclusive, dando ótimas sugestões de melhorias. Estão aprendendo a fazer críticas!
Simplicidade: acredito que nossos eventos precisam ser mais simples e mais familiares. Não precisamos de pórticos de largada monumentais, salões de congresso técnico hiper mega tecnológicos, kits cheios de pompa… Precisamos manter as características de respeito à natureza, respeito ao próximo e transformar as provas num grande encontro entre amigos.
Críticas e comentários educados são sempre bem-vindos!
Cruze a linha de chegada!
Este texto foi escrito por: Manuel Lago