Neste último sábado (24/10) fui competir na 48ª Maratona Aquática 14 Bis. Essa prova é considerada a mais longa e tradicional do Brasil. O percurso é de 24 quilômetros (Sim! É tudo isso mesmo…), com a largada em Bertioga e a chegada na Base Aérea de Santos, no Guarujá. Este ano foi a minha sexta vez nessa competição, mas apesar da experiência o meu psicológico foi testado como se fosse a primeira.
Foram meses tentando conciliar os compromissos diários com os treinos e ainda por cima tinha um TCC no meio do meu caminho. Quando tudo já estava pronto, só restava esperar o dia do desafio. A ansiedade era tanta que não consegui nem dormir direito e às 2h30 da matina já estava acordada para esperar meu amigo Reginaldo que faria a sua estreia e os caiaqueiros Wesley e Paulo que seriam nossos apoios nessa aventura. Nos reunimos e seguimos viagem para Bertioga.

Chegamos lá bem cedo, tinha uma pequena fila para cada atleta marcar o número nos braços e assinar a lista de presença. A largada estava prevista para às 8h em frente ao Forte São João, mas por conta das condições da maré houve um atraso. Foi aí que começou a emoção, já que antes mesmo de começar a travessia, uma chuva forte resolveu aparecer para mostrar que aquela disputa seria realmente desafiadora.
Enquanto tentávamos nos proteger do frio, faziamos um juramento: a missão era completar a prova e o dever era ajudar o próximo, se fosse necessário. Todos que já nadaram a 14 Bis sabem que realmente o espírito fraterno toma conta dos competidores. A largada foi dada aproximadamente às 9h e mais de 260 nadadores saíram para desbravar o Canal de Bertioga. Eu estava no meio desse “cardume”, que passou por uma boia amarela a 500 metros do ponto inicial.
A partir daquela distância os barqueiros e caiaqueiros podiam se juntar aos seus respectivos atletas. Minha alimentação começaria após 1h de prova e depois seguiria a cada 30 minutos até o final. Antes da primeira hora o meu óculos ficou embaçado e o caiaqueiro rapidamente me ajudou na troca do acessório. Isso foi fundamental para eu enxergar melhor o percurso e continuar as braçadas rumo a chegada.
Fomos superando os quilômetros e eu sabia que quando chegasse no Largo do Candinho estaria na metade da prova. Mas antes disso o meu ombro direito começou a dar sinais de desgaste, eu achava que era normal e continuei. Após 15 quilômetros, já não via a hora de chegar na ponte que marcava o 20º quilômetro completado, dali faltariam apenas 4 quilômetros.
O problema é que essa ponte não chegava de jeito nenhum. Já tinha enfrentado água fria, galhos e marolas e aquela ponte não aparecia. O meu braço direito não respondia aos comandos como antes, o ombro pedia para eu desistir. Porém eu tinha ao meu lado o Wesley, que também foi o meu caiaqueiro no ano passado e que dessa vez estava lá me apoiando como se fosse um treinador. Quando eu reclamava de dor ele me incentivava a continuar e até fazia eu rir na tentativa de me distrair um pouco. A ponte chegou.
Nos quilômetros finais cheguei a nadar costas para tentar aliviar a dor e quando vi a boia da chegada o lado competitivo falou mais alto. Tinham alguns atletas na minha cola e ouvi um dos caiaqueiros gritando: “Força!!!!”. Não pensei duas vezes. Não pensei na dor. Só queria chegar logo e nadei o mais rápido que consegui até a superfície.
Cheguei exausta, mas com a missão cumprida. Terminei os 24 quilômetros e recebi o troféu de campeã da categoria B (20 a 24 anos). Antes disso, quando estava aguardando a premiação, ouvi uma frase que chamou a minha atenção: “aqui é igual o Ironman, só de terminar já é uma vitória”. Pois é, mesmo sendo duas competições completamente diferentes, era a mais pura verdade. Todos que completaram já são vitoriosos! Um parabéns especial a toda galera da Atlantis, equipe a qual faço parte!!! E meus sinceros agradecimentos aos amigos e familiares que me apoiaram em mais essa aventura.


Este texto foi escrito por: Denise Duarte