Rei do Mar

Redação Webrun | · 29 mar, 2015

Todo mundo tem um atleta favorito, aquele ídolo a quem admira e quer ser igual.

O meu é o meu pai. Eu sei é clichê, fazer o que? Desde pequena vejo ele competindo em corridas, admirava as medalhas, quando crescemos papai passou a andar de bicicleta com o meu irmão. Alias, não andar de bicicleta e sim fazer moutain bike. Nem parece que tem quase o dobro da idade dele. Eu nunca tive fôlego ou condições físicas de acompanha-los. Tenho um problema no joelho que me impede de fazer este tipo de coisa. Mas sempre admirei os dois juntos treinando, correndo e pedalando.

 

Uns dois meses atrás o meu irmão comprou uma prancha de Stand Up Paddle. Óbvio que o meu pai não pode ficar atrás e também tem a dele. Os dois acordavam de madrugada, para ver o sol nascer do mar, e iam remar. Eu dormia. Quando o filho prodígio se mudou para Macaé eu vi a minha chance de treinar com o papai.

A oportunidade perfeita surgiu quando fui convidada a participar do Rei e Rainha do mar que é uma competição que abrange as mais diversas modalidades como natação no mar, corrida na areia, Beach Biathlon e Stand Up Paddle. É perfeito para famílias como a minha que cada um gosta de uma coisa diferente, mas todos querem participar juntos.

Quando fiz a proposta para o meu pai eu mal sabia que ia ganhar um dos treinadores mais rigorosos do mundo. Me acordou todos os dias cedo para nadar

 na praia, me faz colocar roupa de borracha e não o biquíni “você não vai competir de biquíni, então tem que acostumar”, marcou o meu tempo, regulou o que eu comia, não me deixava faltar os treinos na piscina. Mas valeu a pena. Tem coisa mais gostosa do que nadar no mar com o seu pai do lado e quando estiver cansada só subir na prancha e deixar ele te remar de volta para casa?

A minha prova foi as 9h30 da manhã e antes de entrar na água o Gabriel Torres, assessor do evento me fez prometer que não ia envergonhar como representante da imprensa. Fiz o meu melhor Gabriel, mas não sou muito boa em circuitos, tinha momentos que acho que nadei em direção a Niterói até um dos ótimos funcionários do evento que estava em uma prancha me avisar que estava na direção errada. A prova era de dois quilômetros, mas acho que de tanto errar as boias devo ter nadado uns três quilômetros a mais… Fiquei feliz de não ter sido a última a sair da praia e fui a primeira (e única) da categoria imprensa! Então posso me considerar uma campeã.

Já a prova do meu pai foi na parte da tarde e o tempo já estava mudando no Rio de Janeiro, ao invés do sol forte e ondas tranquilas o tempo estava nublado e a maré subindo. Papai estava ansioso e a família inteira na areia o apoiando.



Apesar das ondas estarem batendo forte e do papai ter tomado um caixote que quase matou minha mãe do coração ele conseguiu entrar no mar, ficar de pé na prancha e remar até a primeira boia, quando o seu cetro, digo remo, quebrou e precisou abandonar a competição.

Mas se comportou como um verdadeiro Rei do mar, saiu com dignidade, deu o exemplo mostrou que o importante não é ganhar e sim participar. Além disto já se prepara para a próxima etapa do circuito quando pretende participar da corrida na areia. Até então ele não sabia que a corrida era dividida por faixas etárias. “Não posso competir com meninos de 20 anos, mas na minha faixa dá sim”. Mentira pai. Você não só pode como ganha de muitos. Para mim você é o Rei do Mar. Eu no máximo sou a sua princesinha aprendiz preguiçosa.


Este texto foi escrito por: Patrícia dos Santos Serrão

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