Eu que nunca fui muito apaixonada por bichinhos, mato, mosquitos e lama me surpreendi nessa última aventura o quanto pode ser linda e incrível a natureza. Enquanto a maioria das pessoas que conheço, estavam enchendo a cara e comendo muito no carnaval, eu, meu namorado Márcio e meu melhor amigo Marcio (sim, dois Marcios), resolvemos nos aventurar pela Serra da Bocaína.
Como quem não quer nada o Ma (migo), veio com uma história de subir a pé a Serra, fazendo um trekking de quase 30 quilômetros da cidade de São José do Barreiro, até a entrada do Parque Nacional da Serra da Bocaína. Já fui algumas vezes ao parque, o visual é incrível e vamos a uma cachoeira linda, mas sempre fui de carro e nunca nem imaginei subir tudo aquilo de outra forma.
Meu namorado topou logo na primeira oportunidade, e eu, achando que aquilo era coisa de menino nem me pronunciei, até porque nenhum convite tinha sido feito. A data escolhida foi segunda-feira de carnaval. Alguns dias antes, no meio de uma brincadeira eu falei que ia também e ganhei um: sério? Junto com apoio total para embarcar naquela aventura doida.
Participação confirmada e lá estávamos nós, segunda às 5h da manhã junto com a minha mãe de staff, prontinhos e equipados para encarar o desafio que tinha previsão de durar sete horas. Saímos naquele “breu” e eu, super medrosa andei no meio dos dois e bem rapidinho, para não ficar atrás, qualquer ruidinho me assustava.
Assim que o dia começou a clarear fui me sentindo melhor e mais feliz, o céu estava nublado e até choveu um pouquinho, o que foi ótimo e refrescou nossa caminhada. A primeira pausa foi no quilômetro dez e eu já estava morrendo de fome. Tomei um gelzinho enquanto os meninos foram na bolacha de sal. Eu sinto mil vezes mais a necessidade de comer algo doce durante o exercício, também comi uma barrinha deliciosa de cranberry com castanha.
A caminhada foi ficando cada vez mais puxada, comecei a sentir cansaço após o quilômetro nove. Enquanto a dor nas pernas começava a chegar, a natureza em sua essência também! Não contei, mas meu amigo é biólogo e meu namorado é estudante de biologia, então essa minha frescurite aguda de bichinhos estava a caminho da sepultura. Vimos diversos pássaros, besouros, caramujo, também foi possível sentir o aroma de árvores e flores, fora o visual incrível, afinal estávamos sempre subindo.

Lá pelo quilômetro 16, minha mãe pasou de carro com o pessoal que faria o passeio até a cachoeira e nos deixou mais animados. Ainda faltavam 10 quilômetros e ainda tínhamos pique para continuar. As curvas foram ficando cada vez mais fechadas e as subidas mais íngremes, nos últimos quilômetros eu já sentia muita dor na virilha e só pensava em uma cadeirinha fofa para sentar.
Não conferimos a distância do percurso corretamente, e tínhamos em mente que a caminhada seria de apenas 24 quilômetros. No final das contas enfrentamos bem mais que isso, junto com a caminhada até a cachoeira foram 30 quilômetros em 7h40min.
Terminamos super bem, com algumas dores e famintos! O almoço daquele dia foi uma verdadeira orgia gastronômica. Fomos à pousada Lageado que fica no topo da serra e serve uma comida caseira incrível! Vale a pena a visita para o almoço ou até para passar alguns dias naquela paz.
Foi possível perceber muitos aprendizados depois dessa aventura, o corpo se mostrou muito flexível e pronto para enfrentar todos os obstáculos. Este ano tenho muitos desafios pela frente, tanto esportivos quanto intelectuais e tudo isso só me fez sentir que sim, é possível! Quando queremos, não desistimos e somos disciplinados o impossível é só questão de opinião.
Quero agradecer aos meus queridos Márcios que não me deixaram para trás em nenhum momento, e me deram força, afinal eu era a única menina ali presente! Obrigada também a minha mãe, pelo apoio e confiança, na próxima ela vai junto.
Agora sou uma amante dos bichinhos e da natureza. Minha adaptação foi super gostosa e agora só falta perder o medo do escuro!

Com essa aventura novos projetos virão… E mais rápido do que vocês imaginam, logo mais tem novidade! Viva o trekking e a natureza 🙂
Beijos, Chris
Este texto foi escrito por: Christina Volpe