Hoje eu vim contar da primeira corrida que participei. Mesmo tendo este esporte como hobby há algum tempo, o meu único contato com as competições havia sido exclusivamente como repórter, nas coberturas que faço para o Webrun.

Foto: Divulgação Multisport Spirit
Como iniciante, não poderia ter escolhido ocasião melhor: a Night Run da Multisport Spirit, que aconteceu em Paraty (RJ).
Não conhecia a cidade e fiquei boquiaberta com a beleza do Centro Histórico. Logo quando cheguei – ainda sem saber que participaria da prova – levei alguns escorregões nas ruas de pedra, que estavam úmidas devido ao tempo chuvoso. Mal sabia que teria que passar por ali mais algumas vezes, e correndo.
No sábado, eu e o meu editor, Alexandre Koda, acordamos cedo e partimos para mais uma cobertura. A prova do circuito Multisport Spirit tem 40km, envolvendo caiaque, MTB e corrida, em grupos ou individual. Para conseguir pegar os melhores ângulos dos atletas e cenários nas fotos, nos separamos e me enveredei por uma trilha de 3km, na mata fechada.
Depois de um dia inteiro fazendo as imagens e entrevistando atletas, surgiu o convite para participar da Night Run. Com seis ou 12km, o percurso passaria por trechos do Centro Histórico, Morro do Forte e Av. Beira Rio. Confesso que fiquei insegura em relação às temidas ruas de pedras úmidas, somadas ao fato de que eu já estava cansada e há algum tempo sem treinar, mas logo fiquei empolgada com a possibilidade de correr com uma lanterna na cabeça (rs) e conhecer melhor a cidade.
Às seis e meia da tarde, eu e meu querido editor já estávamos devidamente vestidos e prontos para a largada. Combinamos de correr separadamente, para um não influenciar o desempenho do outro, até porque seria minha primeira prova – ainda na modalidade trail – então chegar em último lugar já estava mais do que bom para mim.

Com a lanterna na cabeça e uma mexerica na mão
O primeiro trecho da competição foi um pouco complicado por conta das pedras, mas me concentrei e consegui não escorregar. Quando as pedras terminaram, veio uma faixa de areia, na orla da praia. Estava muito escuro e eu, que até então havia corrido apenas no asfalto, estreava mais um tipo de chão.
Achei essa parte difícil, mas o pior ainda estava por vir. Na praia, eu tinha que olhar para baixo, por causa da lanterna. Quando olhei para frente, vi uma íngreme montanha iluminada por luzes das lanternas dos primeiros colocados. “Será que eu vou ter que subir também? Acho que só subirá quem fizer os 12km”, pensei. Ledo engano, tão logo acabou a faixa de areia – depois de pegar uma pulseirinha de neon com os staffs, para validar o trajeto – começou a subida.
Encontrei o Koda nesta parte (eu subindo, ele já descendo) e nos cumprimentamos brevemente, já que não dava pra enxergar muita coisa. Mais adiante, um ponto de hidratação esperava os atletas, que também deveriam pegar a segunda pulseira.
No fim da montanha, o asfalto. Achei que meu desempenho seria melhor, mas já sentia bastante o cansaço e comecei a ficar um pouco enjoada, porque não tinha me alimentado direito. Resolvi andar um pouco durante a segunda metade da prova.
Ali, um grupo bem feliz em estar entre os últimos colocados dava apoio um ao outro. Era comum receber o aceno das pessoas que passeavam pelo local, em determinado momento até ouvi um “VAI 99, ESTOU TORCENDO POR VOCÊ”, de um grupo de garotos. Achei muito engraçado – porque eu estava entre os últimos – e continuei correndo.
Ao completar a prova, fiquei tão feliz com a medalha que não queria trocar o “look” de corredora de jeito nenhum, ao que meu editor sabiamente não concordou, porque estava frio e ameaçando chover. Roupas trocadas, assistimos a premiação e a maior surpresa ainda estava por vir: eu, Camila, não fiquei em último! Mas mesmo que tivesse, a experiência serviu para aprender que as provas são mais do que a colocação geral, o legal mesmo, pelo menos para mim – ex sedentária e nada competitiva – é fazer o trajeto aproveitando a paisagem e a superação individual. E isso teve de sobra.
Eu e Alexandre Koda
Este texto foi escrito por: CAMILA PISSOLITO