Rainhas do Mar

Redação Webrun | · 01 set, 2014

Eu cubro corrida há mais ou menos oito anos. E tenho de admitir logo no início deste texto que sempre morri de inveja de corredores. Tenho problemas no joelho que me impedem de correr e sempre que vou cobrir uma maratona, meia ou family fico com inveja da alegria e do clima de confraternização deles. Tem gente que diz “ah são todos doidos, pagar pra acordar cedo e correr tudo isto”. Eu nunca pensei assim. Tenho um corredor em casa e vejo que quando tem prova ele começa a se preparar , tem mais animo pros treinos e combina com os amigos de corrida. E o objetivo da maioria na prova não é ganhar, mas se superar, conseguir completar e especialmente se divertir. 
 
Por isto sempre morri de inveja de corredores, porque era algo que eu como praticante de natação não tinha. Afinal quem é que vira pro outro e fala “e aí vamos nadar umas 10 voltas na piscina?”. Não tem nenhuma graça e não é nem remotamente tão divertido. Nadar era um esporte individual. Eu falei “era” porque de uns anos para cá surgiram os eventos de nado no mar. E aí eu encontrei o meu esporte. Não posso convidar alguém pra correr comigo no aterro do Flamengo, mas posso chamar pra nadar em um fim de tarde na praia de Copacabana, o que eu considero infinitamente mais gostoso. Passei a adorar este esporte. Eu treino de biquíni, pego uma corzinha e quando canso fico boiando de barriga pra cima no meio do mar, longe de todos e conversando com meus companheiros de treino. Não tem sensação melhor.

Eu ansiosa antes da prova
A primeira prova que eu participei foi o desafio dos Fortes que se nada do Forte de Copacabana ao forte do Leme. E eu estava em uma fase meio desanimada da minha vida. A prova me deu animo de voltar a treinar e ter um objetivo. Quando completei ela me senti a pessoa mais forte do mundo. Capaz de fazer qualquer coisa e vencer qualquer desafio. 
 
Depois disto me apaixonei por estas provas e estava louca pra participar da próxima. Mas no meio do caminho eu quebrei o braço e tive que me afastar das provas e das piscinas por um tempo. Depois voltei a nadar mas ainda não tinha voltado a competir no mar, até que as meninas da InPress (que fazem assessoria do evento) me convidaram pra nadar o Rei e Rainha do Mar.  Eu estava meio desanimada, faltando a natação quase tanto quanto eu ia. Quando veio o convite eu passei a treinar sério, a me preparar para a prova. E convidei minha prima que também nada a competir comigo. Foi a primeira prova dela e foi legal ver a ansiedade, o friozinho na barriga de quem só está acostumada com a piscina. 

O evento estava super bem organizado e nos deu segurança pra nadar, saber que caso acontecesse alguma coisa tinha barquinho e pranchas fazendo nossa segurança e que em qualquer momento poderíamos desistir. Não que isto sequer passasse pela nossa cabeça. Éramos Rainhas nadando na princesinha do mar.
 
Eu e a Luciana saímos juntas, nos perdemos no meio da prova e no finalzinho meio que por milagre eu a encontrei. Puxei o pé dela que levou um susto e até me reconhecer quase me bateu. Terminamos a prova juntas e cruzei a linha de chegada alguns segundos na frente dela. Fizemos os 2 quilômetros em 43 minutos, o que foi uma surpresa pois achávamos que iriamos demorar muito mais. Minha única reclamação é que o meu tempo não apareceu na listagem final, imagino que algum problema com meu chip, mas como cruzei junto com a Lu tive como saber o tempo mesmo assim.
 
No final da prova estávamos as duas exaustas, mas maravilhadas e já planejando qual seria a nossa próxima prova. E eu parei de ter inveja dos corredores, porque acho que nada supera nadar com um sol gostoso e o Pão de Açúcar de um lado e o Forte de Copacabana do outro.

 Eu e Luciana no final da prova. Cansadas mas felizes.

Este texto foi escrito por: Patrícia dos Santos Serrão

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