Nos confins dos sertões filho chora e mãe não vê!

Redação Webrun | · 02 dez, 2013

O início do fim já começou. Primeiro de dezembro marcou minha última prova de corrida de 2013. A Meia Maratona do Sertão tem se mostrado a cada ano uma competição consolidada e marcante no calendário das corridas de rua (a bem da verdade, pouca rua). Nada melhor que encerrar a agenda competições com o desafio mor. Os 21km recheados de subidas e descidas (22), o sol equatorial e o calor de mais de 35º foram, todos, superados pela persistência.

É que nos confins dos sertões, exausto, fadigado, suor do cabelo às unhas dos pés, quando se avista mais uma ladeira, até bate uma vontadezinha de abandonar a prova, não fosse tão ermo… A melhor forma de descansar e chegar ao sítio Meu Sertão, de modo que o jeito de continuar correndo. Sofri demais nessa prova, o cansaço chegou cedo, logo depois do 12km. Cada músculo do meu corpo parecia estar esvaído, completamente esgotado. Se dependesse só deles eu teria procurado uma sombra para deitar, porém a mente mandava eles se mexerem e de pressa.

Concentrei-me apenas nisso, colocá-los em movimento. Esqueci o relógio e a sinalização de distância percorrida, caso contrário começaria a calcular quanto tempo faltava e quantos quilômetros teria ainda que percorrer, mas isso é uma armadilha traiçoeira. Resolvi que o melhor seria apenas botar o corpo para frente e fatalmente alcançaria o fim do percurso. Foi minha salvação. Quanto surgia mais uma ladeira eu fechava os olhos. Toda minha concentração era depositada na motricidade. Pé aqui, pé acolá. E foi assim que alcancei a reta final. No horizonte vislumbrei um aglomerado de gente reunida, não poderia ser uma miragem, ali estava meu oásis: sombra, aconchego, água fresca e o degrau mais alto no pódio entre os homens de 30 a 34 anos.

Este texto foi escrito por: MáRCIO RODRIGO DE ARAúJO SOUZA

Leia também

 

Redação Webrun

Ver todos os posts

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!