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Redação Webrun | · 12 nov, 2013

Nem sempre é a gente quem decide se vai pra frente, pra trás, se para ou continua no jogo. Há quem espera pela sorte na hora de lançar os dados e há quem prefere tentar virar eles exatamente na posição que deseja. Se isso é bom ou ruim? Não sei… Mas nem sempre eu espero pela sorte e quase sempre eu tenho mais sorte do que juízo…

Já tinha comentado que poucas semanas antes da prova, meu joelho deu pra trás. O destino foi duas semanas na fisioterapia e uma incerteza: Vou poder correr a maratona? Consultei três ortopedistas, pra ter certeza absoluta do veredito. O primeiro disse: Maratona tem todo ano, joelho não. O segundo disse: O que mata não é o veneno é a dose.

Duas opiniões negativas, eu já estava praticamente velando meu joelho, me despedindo das corridas. Nessas duas semanas de fisioterapia, que ambos ortopedistas me indicaram, engordei uns 3 kgs, eu via gente correndo e tinha inveja hahaha, tive vontade de queimar meus tênis e virar jogadora de bocha… Porque eu?

Obviamente que na minha cabeça não correr era uma questão de tempo, pois lá no fundo eu tinha esperança de que não iria abandonar a maratona do dia 17/11. Eu treinei duro, joguei certo, segui as instruções, então eu não conseguia aceitar simplesmente que não. Eu precisava de mais uma opinião, de alguém que me desse uma luz, uma solução, um joelho novo…

Então, foi aí que surgiu o terceiro ortopedista, (sorte que “alguém” insistiu) que disse: Você pode, você vai correr! A consulta foi muito além dos 10 minutos, e diferente dos outros, ele abriu meus exames, sinalizou as lesões, me explicou sobre o problema e teve a opinião diferente dos outros médicos… Ele me receitou um antiinflamatório bem mais potente que os outros e uma injeção que alivia a dor em até um mês, a Diprospan. Depois disso ele disse: – Volte pra me contar! Saí do consultório soltando fogos de artifício, sorrindo pras paredes, quase abandonei o carro e fui correndo pra casa.

Fiquei uns três dias decidindo se tomava ou não essa injeção. Eu li a bula de Diprospan e deu medo. Ela baixa a imunidade, mascara a dor e centenas de outras coisas que só uma bula de remédio pode proporcionar. Mas a tentação de acabar com a dor e me imaginar correndo feliz  foi mais forte que eu, então fui lá e tomei! Até o momento esta tudo bem, nenhum sintoma estranho e quatro dias depois da injeção minha dor quando corro já diminuiu em 70%.

Eu sei que minha lesão ainda esta ali, que eu não vou conseguir correr forte como imaginava e que eu vou precisar parar depois da maratona pra tratar meu joelho. Mas foi a solução perfeita pra ter a oportunidade de tentar fazer algo pra qual me dediquei durante tanto tempo.

Talvez eu acabe a prova com mais de 5 horas, talvez eu não acabe a prova ou talvez eu me surpreenda… Afinal, a medicina ainda não explica todos os milagres, do corpo, da mente, do joelho…


Imagem: John Nyberg / Stock.SXU

Este texto foi escrito por: PATRICIA GUIMARãES PEROTTO

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