Ontemacordei cansado, corpo doía, senti saudade dos meus 27 anos
mas um dos grandesbenefícios da idade é a experiência. Isso aí não tem jeito. Só passando pordeterminadas coisas, principalmente errando é que a gente aprende. Se fosse há10 anos eu levantaria sem dar a menor importância para o que estava sentindo eiria fazer minha rotina normal. Por isso quando dizemos escute seu corpo nãoé uma desculpa furada para não treinar, mas sim para ajustar o treino do diacom a sua verdadeira sensação.
Bem, melevantei, tomei café da manhã, arrumei minhas coisas, e lá fui eu para boa evelha piscina fazer um treino regenerativo. Durante o treino comecei a pensarem algumas coisas e me veio a cabeça a questão da inspiração e da motivação. Oque te inspira? O que te motiva levantar todos os dias, fazer a mesma coisa,dar uma bela zurra no corpo e seguir em frente? Boa pergunta, não?
Quandocomecei a fazer triathlon, quando tinha 16 anos a minha inspiração e minhamotivação estavam muito conectadas a um sentimento, que era a raiva, a bronca.Eu tinha problemas em casa com meus pais, eram brigas diárias que detestavaassistir e saia de casa para fazer esporte porque era o que me deixavatotalmente livre de qualquer problema. Lembro que sentia sair pela minha pele araiva, a dor, o ódio, a bronca, me sentia outra pessoa quando terminava detreinar. Era um alívio enorme. A bronca com os problemas de casa foi passando, masdaí surgiu outro problema. Conforme comecei a treinar e competir em pequenasprovas de triathlon na Argentina começou a aparecer pessoas que não acreditavamem mim, que me diziam que eu não conseguiria que era perda de tempo seguir como jogo da bicicleta. É engraçado comoquando a gente começa a se esforçar para conseguir alguma coisa, logo apareceuma cambada de mala onda querendo te tirar para baixo, dizer que não dá,que não pode e bla bla bla. Isso me dava muita bronca! E assim foi, mas como eudisse no início do post, isso acontece quando somos jovens e impulsivos e nãodamos importância a nada. O tempo vai passando e você percebe que não dá praviver querendo agradar os outros e fazendo com que todo mundo goste de você. Avida é mais do que isso, muito mais. Então a bronca deixou de ser minhamotivação e fui atrás de algo que realmente me inspirasse e me motivara aseguir e não desistir. E minha inspiração passou a ser outras pessoas, ídolos,às vezes pouco conhecidos.
Comecei a assistiros filmes da série do Rocky Balboa, e aquilo era uma grande inspiração paramim. Os diálogos, as ações, a forma como as séries se desenvolveram. Um caraque veio de baixo, com poucas pessoas ao lado, treinou em condições extremas,venceu, perdeu, superou, não desistiu, voltou a vencer, voltou a perder, osassuntos psicológicos que os filmes abordam, enfim, tudo isso era (e ainda é) umagrande inspiração para mim.
Eu diriaque: uma inspiração que te motive à seguir trabalhando somado a um sonho é umafórmula fundamental para o sucesso. É preciso ter uma inspiração. Sem isso ascoisas perdem muito o sentido. Repito: pode ser uma pessoa da sua família, umatleta, um conhecido ou um desconhecido, uma frase, um sentimento, mas algoprecisa tocar seu coração para que não te deixe desistir e parar de trabalhar elutar pelo seu sonho.

Essa foto foi no Ironman Hawaii 2008, em que fui 10o colocado. Rocky foi uma grande inspiração.
Lembro em2008 quando fui TOP 10 no Mundial de Ironman do Hawaii, levei toda saga doRocky para a casa em que estava hospedado. Depois do jantar todos nós nos reuníamospara ver algum dos filmes. Eu sempre gostei da frase “NEVER GIVE UP, mas oque eu curtia mesmo era ver a gana, a garra, o no pain, no gain que o caratinha nas lutas. Mas principalmente a paciência. Alguém já viu algum filme em que Rocky vence no primeiro round? Pois é…. eu diria que em um Ironman, assim comona vida, tampouco se vence no primeiro round.
Pensem nisso. Bons treinos.
NEVER GIVEUP.
EddieSturla
Pro triathlete/ Coach
www.eduardosturla.com
Este texto foi escrito por: EDDIE STURLA