No meio do dia entre tantos afazeres e treinos toca o telefone…
– Alô Rafael Sodré?
– Pronto.
– Camarada, 00 horas pronto no batalhão.
– Certo.
Recado simples, mas entendido na sua íntegra, alguma coisa, que só iria saber quando chegasse à caserna, aconteceu. Seria meu segundo dia de folga, agora se tornou mais um dia de trabalho.
Sigo para academia, ainda tem tempo para executar o segundo treino do dia, musculação, natação e o que estiver faltando. Volto para casa e após a suplementação e alimentação começo a preparar a mochila, farda, suplementos e várias coisas que tem que ter numa mochila equipada…
Já no batalhão me arrumo e equipo para qual seja o nosso serviço da noite, como de esperado mais uma operação contra a criminalidade do Rio, depois de recados com a tropa em forma e reunião para passar as instruções, embarcamos nas viaturas e partimos… Operação perfeita… E já a tarde do dia seguinte voltamos para o batalhão e somos liberados, exatamente ás 15 horas, bom… Ainda da tempo de voltar a academia e novamente e pelos menos o segundo treino do dia fazer…
A suplementação foi feita na base do possível, e a alimentação do dia foram pão, bolo e qualquer coisa que pude encontrar naquela padaria simples de uma comunidade, tentei de tudo para manter um padrão mas… Vamos treinar o gás não é o mesmo se estivesse descansado, o corpo pede para ficar quieto, mas máquina sem movimento acaba engripando.
Reclamo bastante sobre o cansaço e o trabalho enquanto malho, mas no fundo do meu coração uma satisfação enorme de ter feito o que fiz….
… por isso quando vejo a faca na caveira,
eu sei que vou ralar nem que seja a noite inteira…

Este texto foi escrito por: RAFAEL SODRé GONçALVES