Correndo pro ortopedista

Redação Webrun | · 05 jul, 2013

Tenho trauma de ortopedistas. Anos atrás sofri um acidente de carro e quebrei a patela. Me levaram pro pronto socorro e diagnosticaram que quase tinha rompido o tendão patelar, além de ter quebrado um pedacinho da patela. Colocaram uma tala na perna inteira e mandaram ficar com ela durante 15 dias. Dias depois, insatisfeita com aquilo na perna fui procurar um “especialista” do joelho. Eu achava que um especialista podia me livrar daquilo o mais rápido possível. Cheguei lá e o Dr. “maluco” mandou eu arrancar a tala sem nem olhar meus exames, ele apertou meu joelho e disse que estava tudo bem, falou que eu podia ir embora sem a tala, e  era só fazer umas sessões de fisio, que estava tudo ok. Marquei as sessões, e o fisioterapeuta pediu meus exames, olhou e disse: Você tá doida? Sua patela esta quebrada, cadê a tala? Resultado: Mais 30 dias sem movimentar a perna, passeios de muleta e cadeira de rodas, e a certeza de que nem todo especialista é especialista.

Mas pra minha surpresa, depois de anos encontrei um ortopedista legal, e foi mais ou menos assim:

Entrei na sala estiquei o braço, apertei sua mão. E disse: – Oi Dr!

Ele disse: – Oi! E então?

Eu disse: Eu corro e…

Ele me interrompeu e perguntou: Qual seu tempo nos 10km e na meia? Faço essa pergunta por que gosto de ver a evolução dos corredores que atendo.

Eu: Evolução? Hum! Da pra melhorar?  Então Dr, mas eu vim aqui hoje porque estou com uma leve dor no joelho, nada que me impeça de correr, mas vim antes que você me diga uma atrocidade dessas.

Ele disse: Reduza nas descidas (como ele sabe que desço detonando?).  Você já ouviu falar daquela prova subida da Graciosa? Então… Antigamente tentaram a prova da descida, no final da corrida quase 80% dos atletas estavam lesionados, a partir daí cancelaram a prova (ele falou dessa prova, mas não achei nada relacionado a esse assunto. Vamos confiar!).

Não dá pra negar que o impacto da descida é realmente agressivo, segundo o Dr. trabalhamos músculos que são pouco usados, e então o risco da lesão. Confesso que nunca penso em reduzir, só penso que ali é a chance que tenho de ganhar uns minutos, e desço feito louca. Só lembro do joelho quando ele tenta dizer: Eii, olha eu aqui, tô doendo! Vou tentar me controlar…

Comentei também sobre meus treinos na esteira, ele disse que tudo bem, pode treinar, desde que não incline a esteira. Hã? Não inclinar? Pois é, eu achava que podia desde que com inclinação.. mas não! Ele disse que com a inclinação força um movimento que dá risco de lesão também. Tudo bem, esteira plana é mais fácil. Eu nem gosto de esteira mesmo! Só na chuva…

E então continuamos tricotando sobre corrida, sobre sentir os limites do corpo, respeita-lo e não agir numa prova como se fosse a última corrida da sua vida. Até porque a gente quer correr mais e mais e mais.

Assim, pra minha surpresa continuamos falando sobre uma série de assuntos relacionados a corrida. Fiquei impressionada, um ortopedista falando tão empolgado sobre corrida, sem aquele famoso prazo de 15min pra acabar a consulta. Realmente podemos afirmar que tem assuntos que ignoram o pagamento do convênio. E sim!!! ele é um corredor, só que aposentado.

Então ele pediu novos exames, só de acompanhamento e me indicou um remédio novo, que segundo ele vai melhorar meu desempenho. Nada de dopping (hehehe), só um remedinho de uso contínuo. Vamos testar!

Pra finalizar eu disse: Correr doí!  Ele retrucou: Como dizia Benjamin Franklin “No pain, no gain”.

Imagem: 
Adam Ciesielski / Stock .xchng

Este texto foi escrito por: PATRICIA GUIMARãES PEROTTO

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