Nada como o céu azul depois da tempestade. Sim, eu consegui acordar na terça, às 5h30, e mesmo com frio, escuridão e muita neblina, saí pra correr. Já no primeiro km apareceu um louco gritando da janela do carro: – Você é corajosa mesmo! Respondi mentalmente: – obrigada! Com um sorriso no canto da boca.
É a primeira vez que sigo uma planilha fielmente, (descartando a parte que fui impedida) e devo admitir que esta sendo muito gratificante. Faltam duas semanas para a meia de Floripa, e só espero fazer um tempo melhor do que o último, muito melhor pra ser sincera.

Sobre tempo, aconteceu uma coisa engraçada ontem, quando participei da prova Barigui Night Run, aqui de Curitiba. Cheguei na concentração e já começaram as provocações motivacionais. O André, que é responsável pela minha planilha e treinos (super recomendo o trabalho dele), disse que se eu conseguisse pódio ele me pagava uma batel grill (churrascaria super boa aqui de Curitiba). Achei uma proposta meio impossível, mas ok considerei, vai que… Depois disso me aparece o Oswaldo, colega da academia, dizendo que se eu ganhasse da Flávia (a rainha da esteira) ele me pagava um Madero (melhor hambúrguer do mundo). Hahahaha! Eu ri! Eu queria correr tranquila, mas eles me provocaram.
Larguei no fundo. Não vi onde estava a rainha da esteira. Saí no meu ritmo imaginando que de repente pudesse encontrá-la. Tinha muita gente, teve um momento onde a pista afunilava e não sei como levei uma rasteira de um homem, ele passou uma perna dele por dentro da minha e eu quase espatifei no chão. Ele segurou o meu braço, e eu tentei arrancar o meu braço dele, queria continuar correndo hahaha, ele disse desculpa e seguiu viagem. Corri pensando que rolar no chão durante a prova seria muita urucubaca, e aí só banho de sal grosso e muita oração pra me salvar.
Continuei… subidas, descidas, retas, ruas bloqueadas. Então de repente lá pelo 7km, avistei a rainha da esteira , eu disse nãooo!! É mentira!!! Hahaha. Ela nem deve imaginar isso, mas corri bons quilômetros no vácuo dela, eu percebia que ela estava deixando todas as mulheres pra trás e comigo não seria diferente, decidi que a melhor estratégia seria ficar no vácuo mesmo, e lá nos últimos metros sprint final e madero na faixa hahahaha, plano lindooo e meio trapaceiro, confesso. Só que eu não aguentei, tinha uma mulher que a gente já tinha ultrapassado e ela reapareceu. Nessa hora acelerei o carro, passei a rainha da esteira e pensei: – agora vou morrer correndo minha fia!! Fui embora, sofrendo! Depois de um tempo, a rainha da esteira reapareceu, e disse: Oi, vamos junto então! Só que ela acelerou potência máxima e foi embora! Quase comi poeira. Mas fui forte e continuei colada nela.
Eu jurava que era o fim da prova, mas a organização resolveu fazer um desvio antes do fim. Aposto que muita gente queimou o nitro na hora errada. A rainha queimou, eu queimei… Desaceleramos e aceleramos. Avistei a linha de chegada, coloquei sangue no olho pra tentar ultrapassar ela, mas milimetricamente cruzamos juntas (queria o replay dessa cena, alguém filmou? hahaha). Nos cumprimentamos, e sinceramente eu fiquei feliz de chegar com ela, sempre admirei o quanto ela treina na esteira. Obrigada rainha da esteira, sem a sua motivação platônica, eu não teria me esforçado tanto. E claro, obrigada meninos!! André e Oswaldo, Batel Grill (ou desconto no próximo treino) e Madero, lá vou eu!!!
Subi no palco, 1º lugar na minha categoria. E a dona da esteira, 1º lugar na categoria dela.
E então eu cantei (só) mentalmente ao som de Quenn (hahahaha):
We are the champions, my friends
And we’ll keep on fighting
‘Till the end
We are the champions
We are the champions
Todo mundo foi feliz.
Este texto foi escrito por: PATRICIA GUIMARãES PEROTTO