Normal como todos os dias de trabalhoacordo as 05h30min da manhã para estar no batalhão as sete, preparar e conferirequipamento para assumir o serviço as 8 horas.
Educação física até às dez horas,corrida e malhação para manter o condicionamento para o serviço. Após instruçãode tiro, fuzil e pistola, em nosso estande um sol para cada um, sem reclamação,essa é uma das melhores instruções para mim, paramos meio dia e meio paraalmoçar e o descanso da refeição não dura muito…
Somos acionados às 14 horas…
Umamulher em Água Santa se tranca no banheiro e diz que vai suicidar-se apósdisparar duas vezes a esmo com uma pistola 380.
Chegamosao local e nos equipamos rapidamente, com todo nosso aparato tático entramos naedificação e estudamos as melhores formas de chegar até ela que tem suarendição sendo negociada. Esgotamos todos os meios e chegamos a conclusão deque nada poderia ser usado, nada! Químico, não letal, etc., nada! Ela está grávida!
Souchamado pelo subcomandante do GRR que me paga a missão:
Sodrévocê entrará no banheiro depois que arrombarmos a porta, sem nada, só colete,imobiliza ela, e cuidado com a barriga!
Apósalgumas horas ela abre a porta e entrega a arma. Na minha cabeça um únicopensamento:
Ufa! Masé só mais uma ocorrência, já vi piores e espero as próximas!
À noite ocupação na comunidade doComplexo do Alemão, patrulhamos e andamos o tempo todo até a rendição chegar asoito e voltarmos para o batalhão. Chego no batalhão entrego meu fuzil, guardomeu material e pego meu tênis.
Duranteum curto percurso andando até a guarda do quartel escuto:
Ômaluco! Vai fazer o que?
E aresposta vem com um sorriso de satisfação:
Voucorrer!
Treinamentoduro, combate fácil!

Este texto foi escrito por: RAFAEL SODRé GONçALVES