Ouro e Bronze.
Apenas estas duas palavras já seriam suficientes para definir o que a família Brownlee está fazendo pelo triathlon olímpico com vácuo.
Ontem, 07/08, assisti a uma das provas mais brutais de triathlon que já pude acompanhar em minha carreira. A natação, para 17:00 ao primeiro grupo já mostrou que os antigos favoritos (todos eles da minha geração) já teriam muita dificuldade em acompanhar a dupla britânica que tem assombrado o mundo do triathlon. Eles nadaram dando diversos tiros curtos na água (sempre próximos), quebrando a prova em três pelotões e deixando todo o field em desespero logo na saída do pedal (que fez o duas vezes medalhista olímpico, Simon Whitfield, cair da bike em uma desatenção tamanha a acidose que o segundo grupo saiu da T1).
No ciclismo, resistiram até com uma tentativa de fuga do irmão mais velho, Alistair. Forçaram os 40km (que eram aprox. 43km neste percurso), sempre se protegendo na frente do grupo e nunca deixando de dar a cara no vento. O único que teimava em acompanhar essa nova geração era o ex-campeão mundial Javi Gomez, que soube se proteger e tentar se resguardar para surpreender com sua forte corrida.
Na T2, Alistair e Jonathan já entraram dando um tiro. O resto, é história (uma nova em nosso esporte). Ouro e Bronze, com uma corrida de 29:07 (!!!). Prova perfeita, impecável e mortal. Uma mudança completa do padrão de competir o triathlon olímpico com vácuo.
Acompanhei muito a evolução do triathlon britânico nos últimos 4 anos. Tive a oportunidade de treinar e competir contra alguns dos “beatles” que fizeram parte deste ciclo: Stuart Hayes (que fez parte do GB Team neste jogos), Olly Freeman e Todd Leckie. Lembro que em 2008, após os jogos de Beijing, Alistair não era tão cotato como estes três em sua federação. Parecia uma “gazela” correndo e tinha uma prova progressiva para um TOP 5. Jonathan então, nem sequer existia em nosso radar. Com muito investimento público e privado, estes três se juntaram aos “brothers” até culminar no maior domínio de uma nação em qualquer distância do triathlon.
Hoje, apenas Hayes (que sempre foi um atleta de primeiríssima linha no circuito mundial) passou a ser coadjuvante ao “hard charge” dos Brownlees.
O circuito mundial mudou. O triathlon mudou. Nosso esporte evoluiu.
Que sirva de exemplo a nós, atletas e a todas as empresas e federações de que não estamos mais apenas um passo atrás. Estamos pelo menos a dois: Atrás do Ouro e Bronze que representam esta nova geração.
Abraços e bons treinos,
Guto

créditos: Skysports.com
Este texto foi escrito por: GUTO ANTUNES