Depois de um feriado prolongado de muito frio e pouca coragem para sair de casa e correr, estou de volta ao Desafio. Ainda não me acostumei em levantar antes do sol e o frio desta quinta-feira estava mais cruel do que na semana passada.
Não consigo correr de calça, então cheguei a considerar ir com meiões de futebol para esquentar as pernas e fingir que eram meias de compressão. Lembrei-me de um colega que fez isso em uma prova de ciclismo não pelo frio, mas utilizou um meião apertado com o propósito de compressão mesmo e desisti da ideia, com receio de ser ridicularizado.
Dizem que correr é bom para pensar na vida. Eu mal tinha chegado ao Parque do Ibirapuera e já estava pensando nela. No quanto eu a estava arriscando saindo para correr naquele frio, com pouquíssimas horas de sono e um sistema imunológico baqueado. É, faz pensar na vida mesmo.

Oi. Eu sou o novo aluno…
Sensação estranha 1– Desta vez o que marcou o treino não foram os obstáculos como o sono e o frequencímetro, mas dois sentimentos engraçados que eu tive ao longo do começo de manhã. O primeiro foi a sensação de ser o aluno novo, aquele que é matriculado em uma escola onde as turmas já estão formadas e chega cauteloso, meio deslocado, sem saber direito como agir.
Aquele que ainda não tem o uniforme da nova escola e chama atenção por ser um estranho no ninho. Situação levemente incômoda que o professor Leandro Castro provavelmente notou e logo tratou de resolver, me enturmando: Paulo, vai aquecer com a Raquel, ela vai te mostrar o caminho.
E lá fui eu trotar com a Raquel, simpática corredora que treina na Saúde & Performance há cinco anos e está voltando de lesão séria no quadril, como me explicou. Quando voltamos para o prédio da Bienal, lá estava Cláudio Castilho.
Sensação estranha 2- Eu já conhecia o Cláudio pessoalmente. O entrevistei algumas vezes e nossa relação sempre foi a cordial jornalista-fonte. Mas logo vi que ali ele era outro cara. Ali ele era o Cláudio que treinava todas aquelas pessoas portanto mais descontraído e que ao mesmo tempo tem o status de técnico da maratonista olímpica brasileira, Adriana Aparecida da Silva portanto muito respeitado.
Notei que algumas corredoras faziam brincadeiras com ele relacionadas à preparação de Adriana para os Jogos Olímpicos. Li que você vai para altitude na Colômbia e na Suiça. Que chique meu treinador, brincou uma delas, demonstrando intimidade e ao mesmo tempo admiração.

Pouco tempo depois, me vi tomado por um orgulhinho bobo. Enquanto Cláudio me ensinava um simples exercício coordenativo, foi impossível não associar que o mesmo cara que me orientava naquele momento era o que seis meses antes abraçava Adriana emocionada após a medalha de ouro no Pan de Guadalajara, aquele cara que estará em Londres em agosto acompanhando nossa fundista.
Difícil não pensar o meu técnico é um treinador olímpico. Achei graça nessa sensação, mas tentei me concentrar nos exercícios técnicos. Deu para ver que tenho um longo trabalho de postura de corrida a ser feito.
Depois desta parte coordenativa, fui para a corrida solta, em ritmo moderado. Pouco mais de 30 minutos e quase seis quilômetros. Como o ritmo era mais rápido do que na semana anterior, eu e o frequencímetro não nos estranhamos tanto. Foi um treino leve, mas o ponto aqui é a disciplina. Conquistando-a, os resultados virão.
Este texto foi escrito por: PAULO BARROSO GOMES