Fala Galera!
Fui muito questionado estes dias sobre a estréia do Lance Armstrong dentro do circuito profissional de triathlon. Um 2º lugar muito convincente (até poque o vencedor, Bevan Docherty, está voando desde o ano passado em provas da ITU, onde é corrida rápida é determinante para o sucesso). E confesso: Fui um dos que duvidei da capacidade do texano em correr 21km abaixo de 1 hora e 20 minutos…
Desde os anos 90, vimos muitas “máquinas do ciclismo”, como Steve Larsen e Normann Stadler, apostaram tudo no ciclismo como forma de definir a prova. A corrida era forte, mas principalmente do caso de Larsen não o suficiente para ganhar um Ironman.
Armstrong sintetizou o que sempre procurei fazer nas provas (e demorei anos para entender..): uma prova de triatleta. Natação consistente, saindo num bom grupo (não na frente, mas sem perder contato com o grupo principal), ciclismo estratégico e no limiar, sem atacar e descompensar em nenhum momento e uma corrida forte, sem quebras no final. E foi exatamente este ponto que quero chamar atenção: ele descobriu o segredo de provas longas em sua 1º participação!
Todos (inclusive eu) esperavam um ataque no ciclismo. Devastador, daqueles que a gente costumava acompanhar nos Time Trials, no Alpez D´Huez ou quando o “Super Lance” simplesmente resolvia decidir a prova. Mas, dessa vez, ele foi além. Estudou toda o percurso, os adversários e mais uma vez surpreendeu. Armstrong sempre foi um artista e emérito jogador. Adorava fingir que estava cansado e deixava adversários “atacar “no ponto errado da prova. Tenho certeza que ele trará estas estratégias para nosso esporte.
Desde domingo, fiquei pensado muito em como encarar o “Fator Lance” daqui para frente. Com certeza devo cruzá-lo em alguma prova do circuito Ironman nestes próximos anos. Tenho certeza que todos os profissionais terão que estudá-lo, marcá-lo e criar novos “jogos” durante a prova. Ganha muito o triathlon, que além da visibilidade que esse fenômeno de mídia traz para nós, chama a nossa atenção de que nossas táticas de prova podem estar defasadas.
Afinal, ninguém ganha 7 Voltas da França e destrói um “field” de peso no Panamá sem, no mínimo, ser um exímio jogador.
Bom Carnaval a todos, ótimos treinos e nos vemos em 15 dias!
Abraços,
Guto Antunes
Este texto foi escrito por: GUTO ANTUNES