Profissionalismo em Cheque!

Redação Webrun | · 11 fev, 2012

Fala Galera! Muito legal (e uma honra!) ter um espaço para colocar minhas idéias e muitas informações através de um dos maiores sites esportivos do país: O Webrun.com Faz tempo que venho amadurecendo a idéia de disseminar meus pensamentos, que há 3 anos comecei através de meu blog pessoal, agora em nível nacional. Meu objetivo aqui, não será o de falar de assuntos superficiais ligados ao Triathlon, e sim, o de poder colocar o atleta amador dentro da vida de um profissional em todos os seus aspectos: vida pessoal, treinos, viagens, vitórias, derrotas e o que acontece de fato “de dentro da transição”. Ou seja: a verdade nua e crua do que é ser um atleta profissional. Neste primeiro bate-papo, quero tocar num fato polêmico no meio profissional, mas que vem ganhando muito espaço em nossas discussões informais: por quê a cada dia existem menos patrocinadores e boas provas em nosso esporte? Tenho certeza que você, leitor, já deve ter lido muito através de mídias sociais sobre provas mal-organizadas, empresas sem foco em fazer um trabalho de arena bem feito, etc. Se eu for colocar cada um desses pontos, podemos passar anos discutindo isto aqui no blog. Comecei a observar a atitude destes “críticos” e seguir através de facebook e twitter seus comentários. E para minha surpresa consegui constatar que a maior causa da falta do crescimento no nosso esporte está exatamente na sua maior fonte: o atleta amador, que não respeita mais seus ídolos no triathlon. Lembro que quando comecei, em 1999, fazia questão de consumir, aprender e acima de tudo assistir “mestres” como Armando Barcellos, Marcus Ornellas, Oscar Galindez, Antonio Manssur, Fred Monteiro, Paulo Miyashiro, Virgilio de Castilho, Ivan Albano, Alexandre Ribeiro, Fernanda Keller, Carla Moreno, Mariana Ohata, Sandra Soldan…nossa, a lista era inacabável pra mim. Sem falar em meus ídolos que eu só via por fotos, como Greg Bennett, Chris “Macca” Maccormack, Hamish Carter, Simon Whitfield e por aí vai. Eu procurava saber o que cada um fazia e usava para chegar a sua melhor performance (e como um dia eu poderia chegar usando as mesmas ferramentas). Apesar de ter muitos “rivais” na categoria amador, o que imperava entre nós era a amizade e o repeito, além do espírito de brincadeira e companheirismo que nos ajudavam a melhorar a cada dia. Em nossas provas, que íamos de ônibus atravessando o Brasil pela madrugada, falávamos de nossos ídolos e de como seriam/foram suas performances na prova daquele fim de semana… O tempo passou, eu me profissionalizei e com o tempo (e muito trabalho) comecei a alcançar resultados no circuito profissional. Consegui ter a honra de ser vencido e vencer alguns destes meus ídolos no Brasil e no Exterior, mas não parei de respeitá-los e de me sentir honrado de estar ao lado deles (como até hoje tenho.). E como profissional do triathlon, sinto na pele e vejo meus companheiros cada vez menos prestigiados por empresas, provas e acima de tudo por atletas amadores. O que tenho percebido, é que o espírito de competitividade (“quero vencer minha categoria acima de tudo e bater o cara que trabalha na minha empresa”) tem cegado estes atletas e levado alguns até o caminho perigoso (e sem volta) do doping. Para eles, não vale mais a pena admirar a excelência. Não vale mais a pena aprender. Não vale mais a pena ver a modalidade crescer… Será que assim ele será um vencedor de fato, mesmo batendo seu “rival” na categoria? Nos EUA, o espírito do “age-group” impera em toda prova. O amador está no evento para participar, se divertir no evento e assitir, tirar fotos e aprender com seus grandes ídolos. Isso traz empresas para promover a diversão, melhorar a estrutura, e aparecer em seus embaixadores da alta performance. Ganha o amador em evento, ganha a prova em estrutura e ganha o profissional em reconhecimento e remuneração. Completamente diferente do que vemos no mercado local: uma nova geração de triatletas que não reconhece seus ídolos, mas cobra melhor estrutura e resultados milagrosos em Mundiais e Olimpíadas. Portanto, reflita um pouco qual o seu espírito quando vai para uma competição de triathlon. Aonde você quer chegar com tudo isso e se realmente ama o triathlon como a modalidade necessita. Antes de brigar com seu concorrente de categoria, viva a modalidade de uma forma mais extensa. Ame o triathlon de fato. Chegou a hora de nos unirmos e resgatarmos o triathlon. Eu ainda tenho meus ídolos. E é isso que me mantém vivo para buscar a vitória, independente do resultado final. É muito bom ter vocês por aqui! Falamos em 15 dias… Grande abraço, Guto Antunes

Este texto foi escrito por: GUTO ANTUNES

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