WOW! Essa é a forma sintética de descrever o que foi o 8º Circuito Montanholi, que rolou nesse sábado em Morungaba. A não sintética eu vou derramar aqui nesse post 🙂 Porque foi uma aventura, que começou às 5h30 da manhã, horário que eu acordei para dar tempo de buscar minha amiga Jacque e encontrar o povo do Núcleo num posto da Rod. Bandeirantes. Esse encontro, aliás, foi legal para dar o start no clima de prova, mas não teve absolutamente nenhum propósito prático.
Sim, porque a idéia era todo mundo se reunir e ir JUNTO para Morungaba, estilo comboio. Pois bem, depois de um cafézinho para acordar e um tricô básico, as pessoas entraram em seus respectivos carros e …. sumiram. Isso mesmo, deram área. Rolou um momento uhúuuu-pé-na-tábua e ninguém lembrou de ver se estava sendo seguido ou se estava mesmo seguindo alguém. Eu, por exemplo, que tenho um nível primário de cognição antes das 8h e preciso pensar para responder qual o meu nome se for antes das 7h, não lembrava nem quais eram os carros da galera. Resultado: foi cada um por si e TODOS se perderam. Todos, cada um em uma parte do trajeto, uns mais, outros menos. Com direito a stress cogitando se chegaríamos a tempo para a largada e tudo, só para os neurônios comatosos começarem a fazer sinapses para tentar descobrir se estávamos indo na direção certa e entender porque Itatiba é uma espécie de cidade onipresente, não importa em que rodovia vc esteja nem em que direção vc vá, vc sempre acaba passando por ela.
No final, igual em filme da Disney, deu tudo certo e chegamos no sítio Santa Clara não só a tempo de pegar chip como até de pegar a chepa do café da manhã, acabando com um dos meus grandes temores do dia – correr uma prova dessas de estômago vazio. A essa altura eu já estava acordadíssima, pensando que eu ia ter que correr aquela subida que o carro teve que fazer uma forcinha para manter a marcha (vc passa por parte do percurso para chegar de carro ao local da largada).
A infra da prova é de dar lição de moral em umas e outras por aí: marcação de quilometragem impecável, postos de água, chipagem em 3 pontos, medalha, camiseta, nº pesonalizado, café da manhã tudo de bom e almoção farto no final – onde conheci só gente bacana, impressionante: José Carlos Montanholi e a família, os colegas blogueiros webrúnicos Harry e Fernanda (que é tão rápida que só a vi depois da prova terminada), dona Mitiko e mais vários corredores e corredoras alto astral. Só para não dizerem que eu sou uma deslumbrada e que não reclamar de nada não é normal no ser humano moderno, vou lamentar que a menor camiseta era uma M masculina, ou seja, com cinto dá um vestido anos 80. Pena, porque essa é uma camiseta que daria o maior orgulho de usar, mas talvez se mantiver a idéia da colcha patchwork de camisetas desse post anterior, isso não importe, né?
A largada foi pontualíssima, as 9h30, sob sol e céu azul, ladeira acima, deixando o visual da prova uma distração importante nos momentos de maior sofrimento, já que eu sou uma pessoa que abstrai na adversidade e fica olhando o visual para distrair o cérebro e impedí-lo de tentar diminuir o ritmo da corrida. 
O trajeto da prova é composto por 3 pernas. O que eu ADOREI foi que graças a essa ida-e-volta de cada perna, o povo elite passa por vc 3 X durante o percurso. E eu acho O MÁXIMO acompanhar a corrida de quem está disputando pódio, fico emocionada de verdade, me dá um entusiasmo sem explicação. Eu, durante as provas, pareço aquelas pessoas que bebem e amam todo mundo do mundo. Grito, incentivo, trato desconhecidos como amigos do peito, fico toda feliz. Sei lá, deve ser a endorfina.
Mas nem tudo são flores e endorfinas felizes. Porque essa prova É EFETIVAMENTE a meia maratona mais difícil do Brasil. Da minha vida pelo menos, com certeza foi. No meio da 2ª perna deu um momento de pânico. Eu estava começando uma subida (lembrando que essa prova NÃO TEM TRECHOS PLANOS) quando meu cérebro ameaçou começar um motim. “Deu”, ele disse. “Chega, parei”. E foi diminuindo o passo, diminuindo, diminuindo até que eu retomei o controle e fiz um acordo: “tá, a gente trekka um pouco, mas depois a gente solta igual maluco na descida para compensar, ok?”. Ok. E assim foi, seguindo o que a Cris – que além de ganhar a prova ainda teve tempo de gritar um incentivo e uma orientação para cada aluna quando passava voando pela gente- falou: anda na subida e corre sempre que der.
E teve momentos em que até andar era um esforço. O que É aquela subida no KM 17 minha gente? Meu pobre Sanderinho urbano 1.6 ia ter dificuldades de subir. Vc passa num posto de água lá pelo KM 15 ou 16, vê que está perto do final da prova e aí… vc vê a montanha. E umas silhuetas curvadas e sofridas lááááááááá no topo, muuuuuuuuito longe de vc. Isso num momento em que vc já está no bico do corvo, os músculos apitando. É tão avassaladora essa última subida que vira até um momento zen. Tipo vc desconecta e simplesmente vai. E sobe. E sobe. E sobe. Aí, em um momento distante, vc faz a curva da terceira perna e começa a voltar. E sobe mais.
Mas aí no KM 18 me deu uma endorfinada master e eu fui. Corri os últimos 3K no máximo (máximo para a quele momento, bem entendido). Acelerei tanto quando chegou na descidona final que, se eu tivesse escorregado ali, teria literalmente rolado até a linha de chegada, pq não ia ter dado para parar. Nesse ponto, fiquei feliz de estar sol, apesar do sofrimento ser maior: eu, newbie total de corrida na terra, não tenho tênis cross country, ou seja, se tivesse chovido e rolasse uma lama, eu estava perdida. Mas os deuses sorriram nesse sábado e eu cheguei. Passei na linha de chegada como se fosse do pelotão quênia, comemorando com a mulherada que me esperou pacientemente: valeu Vivi, Cris, Marcela, Jacque & cia! Terminei feliz feliz feliz de ter conseguido, mesmo fazendo um tempo leeeento, de 2h34 (34 min a mais do que meu tempo de meia maratona). Mas foi a 1ª né? Primeira prova cross country, primeira prova
de montanha, primeira meia maratona com esse grau de dificuldade. Mas com certeza a primeira de muitas, que esse lado sadomasô da corrida faz vc gostar das provas que mais fazem vc sofrer.
Mas o que importa é que eu FIZ O MONTANHOLI, terminei e terminei correndo hehehe Mas fiquei tão lesada que nem alonguei, o que garantiu um day after estilo Resident Evil, andando que nem zumbi, com aquela perna dura meio coxeando. Mas who cares? Ano que vem, se tiver convite sobrando, TÔ DENTRO!!
Este texto foi escrito por: CORREDORA ZEN 🙂