Você já correu a São Silvestre? A prova mais famosa de São Paulo – e talvez do Brasil – tem várias particularidades em seus 15K, a subida da Av. Brigadeiro; o percurso que começa e termina na Av. Paulista, um dos cartões postais da cidade; o Centro e a minha predileta: os corredores fantasiados.
Das provas que já corri, a São Silvestre não é a mais bonita, nem a mais difícil ou fácil, mas com certeza absoluta é a prova mais alto astral que já vi. Por ser no dia 31 de dezembro, talvez, o clima de festa, reveillon, já começa quando vc chega. As pessoas sorridentes, em clima de “adeus-ano-velho-feliz-ano-novo”, o povo que assiste, aplaude, incentiva, comemora, torce. E os corredores que são um show a parte.
Eu já fui ultrapassada pelo Homem Aranha na São Silvestre. E vejam bem, estava uns 40°C, eu de shorts + regata morrendo de calor, e o heróico corredor estava de máscara. Repito, DE MÁSCARA, daquelas que cobrem a cabeça toda, incluindo nariz e boca, só com furinho para os olhos, além da roupa completa do aracnídeo. Eu já gostava do Homem Aranha, agora ele é definitavamente meu herói.

Tem os figurinhas carimbadas, quase um arroz de festa das provas brasileiras, que estão em todas, tipo o Homem Árvore, que defende o arvorismo e que sempre arranca aplausos da torcida. A última vez que o vi foi na Meia Maratona do Rio, outra prova difícil e quente, MUITO quente, onde ele passou com aquele macacão-árvore que cobre o corpo todo e deve ser um forno.
Eu já vi gente trajando um outfit de fazer inveja ao Clovis Bornay. Por exemplo, vc sabia que a Catedral de Brasília já correu a São Silvestre? Correu sim, eu vi, só não sei se correu a prova inteira ou se resolveu conversar com a Catedral da Sé no meio do caminho.
A criatividade do povo é sensacional. Já vi a Emilia do Sítio do Pica Pau Amarelo, o Michael Jackon, o presidente Lula, anjos e demônios, o Cristo Redentor igual ao que está no Rio de Janeiro, o ex-presidente americano Bush, Zé do Caixão, o Super Homem e, na maratona de Londres, o Cubo Mágico.

Juro, achei tão legal que resolvi que, se eu for correr a São Silvestre de novo, vou fazer alguma produção. Algo bem ousado como uma tiara com antenas, por exemplo, que eu não tenho vocação de camelo para viver feliz com um casaco de pelos sob o sol do Saara.
Este texto foi escrito por: CORREDORA ZEN 🙂