
Para Bastos o pódio é sempre uma forma de expor sua imagem (foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br)
São Paulo – Com um jeito irreverente, o maratonista Adriano Bastos é figurinha carimbada nas provas paulistas. Aos 28 anos, suas marcas registradas são as duas tatuagens do personagem Mickey Mouse, símbolo de suas vitórias na Maratona da Disney, e os diferentes penteados na cabeça, como tranças e penduricalhos. Sempre de bem com a vida, o atleta ganha cada vez mais espaço nas provas de corrida.
No dia quatro de junho, por exemplo, Bastos participou da Maratona de São Paulo e conquistou o quarto lugar após muita superação. O forte calor, que fazia na ocasião e a presença de um queniano atrás dele durante boa parte da prova, fizeram com que o brasileiro se doasse ao máximo para conseguir um lugar no pódio. Ele cruzou a linha de chegada com fadiga e precisou ser carregado pela equipe de apoio.
Eu cheguei nos últimos 500 metros e achei que não ia completar, foi no limite total, lembra. Após a Maratona, Bastos ficou uma semana em repouso, sem fazer absolutamente nada, e retomou os treinos somente na segunda semana.
Na segunda semana retomei com trote leve, 40 minutos por dia; na terceira comecei a fazer dois períodos de rodagem leve e na quarta semana comecei com treinos mais intensos, com tiros, treino de pistas e depois participei da prova dos bombeiros da Corpore, conta o brasileiro que conquistou a terceira colocação da competição e provou estar recuperado da Maratona.
A partir do próximo domingo (30) ele vai disputar provas com distância de nove a 10km, com o objetivo de treinar para Buenos Aires. Ele estará na Meia Maratona Flanax, na USP; na Track&Field Run Series (6/08), no Shopping Villa Lobos e Centro Histórico (13/08). Em seguida, Bastos dedicará dois finais de semana apenas para os treinos, coisa que ele não faz há algum tempo.
O que eu tenho de diferente em relação aos demais corredores, é que os atletas que entram em provas todo fim de semana, entram naquela ansiedade de precisar vencer. Eu entro desencanado, eu entro para fazer um treino forte, ter um estímulo de velocidade. O pódio acaba sendo lucro, conta.
Indagado sobre a opinião contrária do seu técnico sobre disputar tantas provas consecutivas, Bastos diz que não liga. Essa é uma opção minha, o Ricardo D´Angelo (treinador do atleta) é contra isso. Eu criei uma metodologia diferente. Eu prefiro conseguir 30 pódios no ano, mesmo que seja quarto colocado, aparecer para o público, mostrar meu patrocinador, do que focar apenas três provas por ano para apenas entrar para ganhar, revela o maratonista.
Mesmo que eu ganhe apenas três provas no ano, eu vou aparecer naquele momento e passar o resto do ano desapercebido. Não é o tipo de coisa que eu curto. Eu gosto de aparecer para o público, ser visto, é um retorno para mim, para as pessoas me conhecerem, além de ser um retorno para o patrocinador finaliza.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda