Preparo físico e paciência são essenciais na corrida de montanha

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 17 dez, 2012

Liberdade do pace e ambientes diferentes são os fatores que motivam Rosalia (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Liberdade do pace e ambientes diferentes são os fatores que motivam Rosalia (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)

A diferença entre uma prova de rua e uma corrida de montanha não se limita somente ao aspecto visual. A troca do asfalto nivelado por vias de paralelepípedos e trilhas com barro e cascalho exige preparação física específica, além do uso de equipamentos para garantir a segurança e desempenho para quem decide se aventurar longe dos locais urbanizados.

Em uma prova de montanha o contato com a natureza acontece a todo o momento, além de ser intenso. Segundo adeptos do trail running, gostar de estar perto da natureza é fundamental para deixar o asfalto e enfrentar as trilhas. “O primeiro ponto é saber respeitar a natureza. O corredor de montanha precisa adorar estar no meio do mato”, afirma Manuel Lago.

O ultramaratonista e treinador de corrida ainda acrescenta que somente ser ligado ao meio ambiente não é o suficiente para deixar de lado treinos e competições na cidade. Outro ponto básico são os acessórios. “Já corri várias provas com tênis de asfalto, mas com o tempo é necessário ter um calçado específico para trail. Outro detalhe está nas meias de compressão, que além de melhorarem a circulação, protegem as pernas contra plantas urticárias”, conta. “A mochila de hidratação também é essencial. Saber correr com ela é muito importante”.

Mudança nos treinos– Após iniciar no mundo das corridas, Lago experimentou sua primeira ultramaratona de montanha em 2009, mas foi durante a Ultra Trail du Mont Blanc (UTMB), prova que corta os Alpes, passando por França, Itália e Suíça, que o atleta se deu conta dos pontos necessários para se tornar um corredor de montanha de alto nível.

“Quando cheguei para fazer a prova, achei que estava bem treinado. Mas logo no início percebi que teria de me preparar muito mais para ter um bom desempenho”, revela o treinador.

Durante a fase de transição do asfalto para a trilha, Lago aponta que o corredor precisa ter em mente que o plano não existirá mais. “A rotina de treinos precisa ser adaptada para que o atleta se acostume com a falta de nivelamento do solo e colocar na cabeça que caminhar também é normal e necessário”, afirma.

Começar os treinos em ruas de paralelepípedos ao invés do asfalto ou concreto liso é um dos pontos principais apontado pelo ultramaratonista. Além disso, estudar a altimetria e se preparar psicologicamente para as dores no corpo também fazem parte da mudança.

“Depois de se acostumar com o desnível, é hora de encarar subidas e descidas, no asfalto mesmo. Subir escadas também é um bom treino. A fadiga muscular com essa rotina de preparação será muito maior”, adianta.

Andar é mais rápido– Durante a UTMB, Lago precisou encarar subidas em que muitos competidores conseguiam o acompanhar andando. “Muitas vezes andar é mais inteligente. Você consegue desenvolver boa velocidade e faz esforço muito menor. Isso poupa seus músculos para as descidas, que é a parte em que é preciso ser rápido para ganhar tempo”.

“Escravidão do pace”– Rosalia de Camargo é uma corredora de montanha amadora, mas os resultados conquistados por ela a credenciam como uma das melhores atletas da categoria no Brasil. Em 2012, a carioca venceu as etapas de Tiradentes e Mangaratiba do Xterra, além de ter conquistado o segundo lugar na XC 42K Búzios e quinto lugar na K42 Bombinhas.

Antes de ingressar nas trilhas, Rosalia era adepta de corridas de rua e participava de competições de Ironman, porém, “a rotina de treinos puxada e desgastante” acabaram levando-a para ambientes menos agitados. “A minha transição do asfalto para a trilha foi rápida. Depois que eu fiz minha primeira maratona de montanha, não quis mais abandonar a trilha”, conta.

Para a amadora, os treinos de subida são os mais difíceis, mas o fato de estar em locais diferentes, sem a mesma preocupação em checar toda hora o relógio e o frequencímetro é o que a motiva. “Não corro mais na rua. Não sou mais escrava do pace também”, afirma.

Segundo Rosalia, três pontos são importantes para quem está prestes a iniciar em corridas de montanha: equipamentos, consciência ecológica, para não deixar lixo na trilha, e do próprio corpo. “Eu demorei para conseguir achar a vestimenta ideal para as corridas. Eu não uso meias de compressão, nem mochila de hidratação, porque não me sinto bem”, explica a carioca, que não vê diferença entre as organizações de corridas de rua e montanha. “Hoje você encontra postos de hidratação nas trilhas, por isso poupo meu corpo do peso da mochila”.

Este texto foi escrito por: Renato Aranda

Redação Webrun

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