Motivos que nos fazem engordar podem estar equivocados: apêndice

Redação Webrun | Atletismo · 09 out, 2012

Treinamento influencia perda de peso diretamente? (foto: kcsongs/ Stock.Xchng )
Treinamento influencia perda de peso diretamente? (foto: kcsongs/ Stock.Xchng )

Quando comecei a escrever esta curta série, nunca tive a pretensão de solucionar algo que permanece insolúvel há quase um século: o combate ao sobrepeso. Talvez o mais esclarecedor livro de nutrição já escrito (Good Calories, Bad Calories de Gary Taubes) leva cerca de 500 páginas para apresentar seu ponto sem dar uma solução completa, mas algumas pessoas esperavam que eu tivesse alguma em três textos de 2500 toques. Até agradeço a confiança, mas é impossível.

Por uma pequena falha de comunicação, meu terceiro texto foi apresentado pelo portal como sendo uma conclusão, quando na verdade essa só seria escrita depois dos comentários das três primeiras partes. Eu queria ouvir as dúvidas e as partes não claras.

Confesso que fiquei surpreso como não questionaram mais justamente um ponto que demorei a entender, aquele em que Taubes explica que comemos mais porque engordamos e não o que a sabedoria popular defende, que engordamos porque supostamente comemos mais.

Bem sucintamente, se tudo está errado como defende Taubes, o que deveria ser feito? Partindo no texto todo sempre da premissa que ele fala de pessoas sem doenças (cardiopatia, hipertensão), grupos especiais (crianças, atletas profissionais) ou outras especificidades, seu argumento é baseado em um conhecimento que nenhum fisiologista, nutricionista ou médico nega: a insulina é nosso hormônio mais anabólico. O aumento de gordura corporal está necessariamente ligado à sua liberação no organismo.

Além disso, Taubes desconstrói toda a ideia do balanço energético (calorias ingeridas versus calorias gastas), teoria criada sem contestação nos anos 50 que carece de todo suporte científico. Então temos:

  • O balanço energético não pode servir de base;
  • O carboidrato é de longe o maior vilão no ganho de peso;
  • A gordura foi condenada erroneamente como uma vilã do controle de peso, do coração e vasos sanguíneos.
  • Zero carboidrato– Como toda simplificação e resumo, ele deve ser lido com cuidado. Há inúmeras nuances, mas o que Taubes prega é que a pessoa deve cortar radicalmente, de forma muito drástica, o consumo de qualquer tipo de carboidrato. Ele enfatiza que alguns, como farinha de trigo e açúcares deveriam ser banidos da dieta de quem quer perder ou manter peso. Pão, biscoitos, massas, arroz, grãos, cereais, a maioria das frutas e seus sucos, alguns legumes, açúcar, álcool e doces. Tudo isso, sem exceção, deve ser cortado.

    Já gorduras, ovos, folhas e carnes, praticamente quase tudo isso está liberado. E para acelerar este gasto poderíamos partir para o uso de atividade física, certo? De novo, resumidamente, Taubes bate na tecla com a qual cada vez mais gente concorda, exercícios “apenas” fazem a pessoa ter mais fome. Ponto. Nada mais. Treinou mais, come mais. Tentou comer menos, o corpo reduz os gastos e a mobilidade. Mas o esporte seria nulo na perda de peso. E este é o ponto com o qual não concordo 100%, talvez concorde uns 85 ou 90%.

    O esporte indiretamente pode ajudar no controle e perda de peso porque ele inibe a liberação de insulina no sangue, a “vilã”. Mas o esporte como aumento do gasto favorecendo o balanço energético é muito provavelmente uma falácia.

    Confira a conclusão do artigo de Danilo Balu na próxima página.

    E você, corredor que quer perder peso, tem medo de comer menos carboidrato? Tem medo de entupir seu coração comendo gordura e ficou ofendido quando eu disse que a corrida não ajuda na perda de peso? Vamos por partes.

    O carboidrato é superestimado– Percentualmente falando, em todas as vezes, repito, todas as vezes que avaliei o consumo alimentar de corredores da classe média, eles comiam menos do que o que seria preconizado. Além disso, carboidrato é como gordura e impostos, você pode tentar, mas não irá fugir 100% dele se for comer “comida”.

    Gorduras e coração– Vai chegar o dia em que teremos que pedir perdão aos porcos e ao seu delicioso bacon. Há décadas buscamos provar que colesterol, gordura e cardiopatia em indivíduos saudáveis andam juntos. Em vão. Todo estudo decentemente feito não consegue correlacionar mais gordura na dieta e mais colesterol ou risco cardíaco em pessoas saudáveis, sem histórico.

    Seus treinos– São inegáveis e indiscutíveis os efeitos que o esporte proporciona a todos em inúmeros e incontáveis campos. Estou apenas falando que diretamente a corrida não ajuda na manutenção do peso, no máximo ajuda indiretamente.

    Por fim, minha recomendação baseada no trabalho de Taubes e outros. Quer perder peso? Corte os carboidratos. Radicalmente, sem pena nem dó. Meu último conselho é: mais do que duvidar radicalmente das ideias propostas, duvide do seu profissional se ele nunca leu Gary Taubes.

    Este texto foi escrito por: Danilo Balu

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