
Luiza Trindade melhorou desempenho nos túneis (foto: Fabiana Coletta/ www.webrun.com.br)
Na semana anterior à Maratona de São Paulo, o corredor Adriano Bastos apontou aqueles que considerava os pontos mais graves do percurso tanto no aspecto psicológico (região da USP) como físico (túneis no final). O Webrun conversou com os amadores após a prova para confirmar quais os trechos mais duros.
Sem luz no fim do túnel– O investigador João Lima Santos gosta do percurso, quase que inteiramente plano, mas sentiu dificuldades nos quilômetros finais, quando os atletas passam pelos túneis. Depois do quilômetro 37 tem muita subida, a gente sente a diferença.
Para Reginaldo Amado da Silva, o segredo está em saber controlar o ritmo. Para mim dá até um pouco mais de ânimo no túnel, porque não tem o sol. Mas tem que saber cadenciar na subida, aconselha.
A corredora Luiza Trindade, por sua vez, inverteu a situação e encaixou o ritmo justo na parte mais temida. Normalmente é onde sempre pioro, tenho vontade de descansar, mas desta vez fiz melhor, comemora.
Em sua terceira Maratona de São Paulo consecutiva, Antônio Marcos Gomes teve bom desempenho: melhorou em dez minutos o tempo de 2011, encerrando a prova com 3h26. Ainda assim, descreve os túneis como o grande calvário da prova. É mais cansativo, onde bate a fadiga. Por ser fechado e em subida, desgasta bastante.
Psicológico– Se a grande torcida já é importante para os atletas profissionais, sobretudo quando um brasileiro se consagra campeão, para os amadores o incentivo é enriquecedor. A falta de espectadores é sentida principalmente no trecho do percurso que passa pela USP, na Cidade Universitária.
Na USP estamos sempre mais sozinhos e tem pouca platéia, pouca gente para incentivar, afirma o corredor Walter Moura. É a parte mais difícil, mais deprimente, eu diria.
Um dos motivos para o trajeto na Cidade Universitária ser considerado mais complicado é a paisagem constante e indistinta deste caminho. Nesses casos, o fator psicológico é tão decisivo quanto o físico. Muita gente começa a quebrar, tem cãibra, avalia Thiago Paulino Silvério da Silva.
No entanto, quem corre pela primeira vez em São Paulo observa o ambiente com mais atenção. É o caso do japonês Masayuki Heguchi. A paisagem não me desmotivou, porque para mim era tudo novo, explica.
Para ele, não apenas a torcida como os outros atletas servem de motivação durante as três ou mais horas de intensa atividade. Eu acho que a prova não é individual, é um coletivo, os outros corredores também estimulam, conta.
Este texto foi escrito por: Fabiana Coletta e Paulo Gomes