
Os estudos sobre os suplementos não são conclusivos (foto: Martin Walls/ Stock.Xchng)
Um dos maiores e mais promissores campos da Nutrição diz respeito ao estudo da necessidade ou não do suplemento de micronutrientes (vitaminas e minerais). Muito provavelmente uma grande parcela dos profissionais se suplementa com polivitamínicos e antioxidantes. Mas esses mesmos profissionais não prescrevem aos seus clientes, ou pelo menos não deveriam. Por quê? Porque não há evidências de que haja benefícios nem de que sejam todos eles seguros. Quem prescreve está muito mais para curandeiro e feiticeiro do que para Nutricionista.
Os estudos com consumidores não resolvem a questão por não serem nada conclusivos. Há estudos que apontam que os consumidores desses polivitamínicos (similares àqueles do tipo de A a Zinco) às vezes vivem dois a três anos a mais e outros dizem que vivem dois a três anos a menos.
O que precisamos sempre levar em conta é que, teoricamente, quem produz esses suplementos vive justamente de vender pílulas, venham elas acompanhadas de saúde ou não. E por isso é mais seguro esperar o passo lento da ciência do que apostar em algo que pode ser inócuo, ou pior, fazer mal, muito mal.
Mas sabe-se que há agora outro motivo implícito para que não apostemos tanto no consumo de pílulas de saúde, uma vez ao dia junto com as refeições. Um estudo de Taiwan mostrou o que acontece no COMPORTAMENTO de quem toma supostas pílulas com micronutrientes. Estes indivíduos, considerando-se com melhor saúde e maior senso de imunidade devido essa suplementação, demonstravam menos interesse em praticar atividade física e assumiam hábitos não tão saudáveis como maior ingestão de álcool e menos uso de protetor solar.
Pior! Quando expostos à escolha de refeições, os que tomavam pílulas preferiam as refeições tidas hoje como menos saudáveis.
A conclusão é que quem usa desse recurso se considera mais imunizado. Assim, cometemos pequenos sacrifícios (tomar pílulas) para poder cometer os grandes (desandar com a saúde). É sempre assim que nos comportamos, seja na vida ou nas escolhas nutricionais.
Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21764996
Este texto foi escrito por: Danilo Balu