
Fabiana Murer realizou salto durante evento (foto: Paulo Gomes/ www.webrun.com.br)
O Grupo Pão de Açúcar inaugurou em São Paulo, na segunda-feira (21/11), o Núcleo de Alto Rendimento. O complexo, na zona sul da cidade, tem 10.000 m² e pretende ser um pólo nacional de análise e desenvolvimento de atletas.
Com equipamentos apropriados para a medição dos dados mais diversos referentes à performance esportiva, o NAR é um marco importante no progresso do esporte nacional. Nas palavras do presidente executivo do Grupo Pão de Açúcar, Enéas Pestana, a intenção é apoiar nossos atletas para que se igualem às potências do esporte mundial.
Umas das personalidades políticas presentes, o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, ressalta a importância do momento e classifica a iniciativa como um exemplo. Gostaria que o evento de hoje tivesse não apenas o efeito prático de melhorar o esporte de alto rendimento no País, mas também um efeito educativo, pedagógico, de mostrar ao setor privado a importância de investir no esporte, afirma o Ministro, que lembrou que o NAR tem apoio da Lei de Incentivo ao Esporte.
O Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin elogia a ação do Grupo da família Diniz e sinaliza que o investimento no esporte está intrinsecamente relacionado ao bem estar da população. Nunca se faz tanto pela saúde do que promovendo o esporte. As doenças que contraímos nada mais são do que resultados de maus hábitos, analisa.
Reconhecimento dos atletas – O ponto alto do evento de inauguração foi quando a campeã mundial de Salto com Vara, Fabiana Murer, adentrou o salão em trajes de competição empunhando a vara de mais de quatro metros de comprimento. Fabiana chamou as ritmadas palmas, habituais nos campeonatos, e realizou um salto bem-sucedido nas traves do NAR, para deleite de todos os presentes.
Este centro oferece tudo o que é essencial para desenvolver ainda mais a velocidade e a explosão. Todos esses recursos vão me ajudar a alcançar o sonho dos cinco metros, confia a atleta, referindo-se à marca obtida apenas pela russa Yelena Isinbayeva.
Marílson Gomes dos Santos, um dos maiores maratonistas do País em atividade, vê na criação do NAR e em outras iniciativas como a construção do centro de treinamento do Clube BM&F Bovespa de Atletismo, em São Caetano do Sul (SP), uma tendência positiva para o atletismo.
Espero que seja mesmo uma tendência e não só de iniciativas privadas, mas também públicas, conta. Temos que aproveitar o legado do investimento esportivo que está sendo feito para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, para que isso dure, não seja passageiro, analisa Marílson.
Entenda a atuação do NAR – O diretor técnico do NAR, Irineu Loturco, explica como funcionam as atividades do Núcleo. Qualquer esporte em que você tenha um treinamento que vislumbre melhora de potência, aceleração,força e velocidade, você pode trabalhar aqui dentro, conta.
Temos equipamentos para avaliar os atletas em todos os campos. Fazemos estudos de variáveis de velocidade, aceleração e deslocamento. Temos sensores que medem a alteração de pressão, ou seja, medem a força. Mensuramos intervalo entre os batimentos cardíacos, impulsão vertical, tempo de contato do pé com o solo…, ilustra Irineu.
O diretor deixa claro que o diferencial do NAR não são os equipamentos, mas o conhecimento. Temos uma equipe dedicada, financiada por um grupo, sem nenhum interesse lucrativo. Eles querem que estejamos atrás desses dados o tempo todo. Nosso papel é esse, esclarece.
O NAR já fechou parceria com oito confederações. A ideia é atender qualquer atleta de nível nacional, é um investimento do Grupo com o Brasil. Qualquer atleta que estiver sob a tutela do COB [Comitê Olímpico Brasileiro] pode treinar aqui dentro. É uma parceria técnica e científica que fizemos, somos uma base do COB em São Paulo, conta Irineu, afirmando que a intenção não é replicar esse modelo em outras cidades, mas sim promover uma constante melhora do NAR.
Por conta dos Jogos Olímpicos de 2016, Irineu afirma que o COB deve criar um centro de treinamento no Rio de Janeiro. Mas assim como sugerido por Marílson, o NAR não vê os Jogos Olímpicos como objetivo final. Nossa ideia é a perenidade. Tanto que temos contratos de patrocínio de mais de cinco anos, finaliza.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes