
Brasileiro com camiseta do Flamengo se alonga antes da prova (foto: Marcelo Carone/ www.webrun.com.br)
Direto de Buenos Aires – Dos cinco mil inscritos da 19ª Maratona Internacional de Buenos Aires, 20% eram do Brasil. Isso significa que mil corredores brasileiros deixaram as ruas da capital argentina mais coloridas de verde e amarelo.
Pedro Garsa, que faz parte da direção da prova, disse que este alto número de brasileiros vem crescendo a cada ano. No ano passado eram 600, e a previsão é de que em 2008, sejam mais de mil. É sempre muito bom receber os brasileiros. É um povo muito festivo, que gosta de corrida e respeita muito os outros corredores. Já vamos nos preparar e torcer, para que no ano que vem possamos receber ainda mais brasileiros, diz Garsa, ressaltando que em apenas duas semanas as inscrições se encerraram na Argentina e, que, por isso, o número de inscrições deve ser maior no próximo ano.
O curioso é que muitos argentinos que participaram da prova se assustaram com o número de brasileiros e queriam entender o que levou tantos brazucas a Argentina. E os motivos são os mais variados.
José Candido fazia parte do grupo de brasileiros que estava na prova. No dia da prova, nove de setembro, ele completava 47 anos e resolveu comemorar com mais cinco familiares em solo argentino. Eu gosto de correr, já é a segunda vez que venho para cá e resolvi comemorar essa data aqui, com pessoas que também gostem de correr. Além disso, no Brasil é difícil ter uma meia maratona com um circuito plano como esse, conta.
Para André Stepan, 25 anos, da equipe Find Yourself, os amigos de sua assessoria esportiva o incentivaram a ir. Já venho treinando há algum tempo, mas nunca havia feito uma meia maratona. Acabou dando certo de vir para cá com uns amigos e com a namorada. Posso dizer que consegui unir o útil ao agradável.
Quem também estreou na Meia Maratona de Buenos Aires, foi Ângela Fernandez, 40 anos, do Mato Grosso do Sul. Eu faço parte da VO2, um grupo de corrida só para mulheres do Campo Grande, e estamos com o objetivo de correr várias provas ao redor do mundo. Começamos por essa porque tem um circuito plano, melhor para as mulheres. Ano que vem vamos para a Maratona de Nova York, revela a entusiasta de corrida.
Apesar do clima festivo dos brasileiros, que foram a Buenos Aires para correr e também para se divertir, a reclamação aos organizadores da prova foi intensa. Muitos reclamaram sobre a hidratação e a quilometragem, que não tinha marcação em todos os quilômetros e, segundo alguns atletas, não estava bem aferida.
Para Solange Bhering, 46 anos, da Run For Life, a direção de prova ainda tem muito que melhorar. Precisam colocar marcação em todos os quilômetros, e melhorar a hidratação, que foi um problema sério. Mas é a segunda vez que corro aqui e já notei uma melhora, quem sabe com o tempo eles não aprendem, diz a brasileira que também se surpreendeu com o número de brasileiros na prova, Eu não corri sozinha em lugar nenhum. Sempre tinha um brasileiro do lado para incentivar, completa.
Como Solange, vários brasileiros reclamaram dos postos de hidratação que ficavam a cada cinco quilômetros, além disso, alguns revelaram que faltou água nos pontos de distribuição. Outra reclamação foi em relação aos copos de água e de isotônicos que eram em copos abertos, o que obrigou boa parte dos inscritos parar de correr para poder se hidratar.
Segundo Pedro Garsa, da organização da prova, a falta de água ocorreu por causa da alta temperatura do dia. Foi uma prova muito dura devido ao calor, não esperávamos uma temperatura tão alta assim. Isso com certeza fez com que as pessoas pegassem mais copos durante o percurso, o que pode ter deixado um outro sem a atenção devida.
Este texto foi escrito por: Marcelo Carone