
Para a criança a alegria em competir pode se tornar uma decepção caso algo dê errado (foto: Fernanda Paradizo)
É muito importante que as crianças e adolescentes em suas primeiras experiências com corridas tenham uma imagem positiva do esporte, para isso precisamos levantar a bandeira dos cuidados básicos e importantes para não termos ou acabarmos com a especialização precoce no atletismo.
A Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), na Regra 141, estabelece:
a) Qualquer atleta abaixo de 20 anos em 31 de dezembro do ano da competição, masculino ou feminino é considerado na categoria Juvenil;
b) Qualquer atleta abaixo de 18 anos em 31 de dezembro do ano da competição, masculino ou feminino é considerado na categoria Menor.
A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e a Federação Paulista de Atletismo (FPA) consideram também mais duas categorias:
a) Qualquer atleta abaixo de 16 anos em 31 de dezembro do ano da competição, masculino ou feminino é considerado na categoria Mirim;
b) Qualquer atleta abaixo de 15 em dezembro do ano da competição, masculino ou feminino é considerado na categoria Pré-Mirim.
A idade mínima para participar de uma competição de pista é de 13 anos:
Categoria, Idade, Ano 12/2003
Juvenil, 18 e 19, 1985-1984
Menor, 16 e 17, 1987-1986
Mirim, 14 e 15, 1989-1988
Pré-mirim, 12 e 13, 1991-1990
Quanto às distâncias (em metros):
Mirim: 75, 250, 800 e 1.000
Menores: 100, 200, 400, 800, 1.000 e 3.000
Juvenis – Masculino: 100, 200, 400, 800, 1.500, 5.000 e 10.000
Juvenis – Feminino: 100, 200, 400, 800, 1.500, 3.000 e 5.000
Estas regras valem para pista e são oficiais, mas para os organizadores de Corridas de Rua encontramos uma profusão de categorias por idade e de metragem.
O intuito deste artigo é começar a termos uma diretriz para realização de provas de rua para crianças e adolescentes.
As observações que faço estão calcadas em avaliações de campo, ou seja, das diversas provas infantis das quais participei da organização diretamente e naquelas em simplesmente fui assistir.
Vi crianças felizes, triste, machucada, com tênis, descalça, vomitando, crianças que retornarão, outras que talvez e aquela que jamais retornarão em uma prova. Isto tudo vejo que está intimamente relacionado com a metragem da prova, a mistura de idade cronológica com a idade evolutiva não compatíveis e com a postura inadequada de pais.
Segundo o Prof. Dr Jose Gilberto Carazzato, o atletismo deve iniciar seus treinamentos (corridas curtas) após 12 anos. Já Grete Waitz, recomenda correr brincando até os 12 anos.
Deixemos que a criança seja criança. Não pressionemos as crianças. Este conceito do Prof. Harry Du Val, pode-se aplicar perfeitamente em um evento de caráter festivo, sem nenhuma conotação com competição, neste caso não importa a metragem, pois a criança sempre terá seus pais ao lado.
Porém, quando é dada opção às crianças elas escolhem corridas curtas e de brincadeira, neste caso, a definição da metragem curta e a criança brinquem de correr são atributos inerentes a uma organização de prova.
Sugestão das seguintes metragens correlacionadas às idades:
Idade – Metragem
3 anos – 20 metros
4 anos – 30 metros
5 anos – 50 metros
6 anos – 50 metros
7 anos – 100 metros
8 anos – 100 metros
9 anos – 200 metros
10 anos – 200 metros
11 anos – 400 metros
12 anos – 400 metros
13 anos – 600 metros
13 anos – 600 metros
Benefícios e cuidados importantes:
- Ponto básico, não ponha ninguém para puxar a prova, elas descobrirão o ritmo, elas disputarão entre elas, elas não irão em perseguição a alguém;
- À distância entre os primeiros e os últimos não será grande, não provocando o sentimento de derrota;
- As provas devem ter uma metragem tal que a criança tenha vontade de fazer uma vez mais após um breve período de descanso;
- Até os 10 anos de idade podemos fazer a prova com meninos e meninas juntos, após esta idade não acho recomendável.
Estas metragens não têm a pretensão de serem um dogma e daí a necessidade de professores de educação física, medicina esportiva, fisiologistas e organizadores de corrida de rua buscarem um entendimento do que seja melhor para a criança e o adolescente na realização de eventos de atletismo.
Este texto foi escrito por: Mario Rollo