Desastres, acidentes e tragédias em maratonas

Redação Webrun | Atletismo · 02 dez, 2002

Na história das maratonas e corridas de longa distancia diversas pessoas, sobretudo amadoras já enfrentaram problemas graves de saúde, outros até faleceram, mas muitos destes nem tinham preparo suficiente ou desafiavam seus médicos ou nem os consultavam. Mas dois atletas de elite também já perderam suas vidas.

O primeiro deles foi o português Francisco Lazaro na maratona Olímpica de 1912 em Estocolmo e que em 1910 havia ganho o primeiro campeonato português em 2:57.35. Como em Estocolmo estava muito quente e sol, Lazaro decidiu se untar com óleos e graxas para se proteger e quando chegou á linha de partida seu técnico ainda tentou limpar ou tirar os óleos, mas pelos efeitos não teve tanto sucesso, pois os pretensos produtos protetores do sol vedaram o suor e a pele de respirar e Lazaro faleceu. No dia 20 de julho, 24.000 pessoas foram ao Estádio prestar as homenagens póstumas a Lazaro a primeira vítima dos Jogos Olímpicos.

O ugandes John Mwanila, medalha de bronze nos Jogos Centro Africanos de 1969 foi atingido e atropelado por um veiculo nos Jogos Centro Africanos de 1979 em Nairobi e morreu em conseqüência das lesões. Mas a prova não foi interrompida e acabou vencida pelo etíope Yetneberk Belete em 2:18.48.4

Há o caso do tanzaniano Richard Mbewa que treinava para a Maratona de Los Angeles de 1984 e, um policial, o confundiu com um assaltante e o abateu a tiros.

Uma históra de glória e determinação é a do haitinao Dieudonne Lamothe, que em Montreal (1976), havia sido o último colocado nos 5.000 metros com 18:50.07 e voltou a competir nos Jogos Olímpicos Los Angeles (1984) , desta vez na maratona, e, numa demonstração de força e coragem se arrastou até o final do percurso, mesmo sentindo dores, para terminar em 78º e último com 2:52.18. Depois se soube que o violento ditador haitiano Baby Doc Duvalier o havia ameaçado caso não concluísse o percurso. E em Seul o bravo e corajoso Lamothe voltou à maratona em 88 terminando em 2:16.15

Um caso intrigrante é de um americano, Dennis Rainear, na maratona de Allendale, no Michigan. No meio do percurso sentiu uma pancada violenta na cabeça com o se fosse uma pedrada mas ainda assim prosseguiu até o final. Disse que os joelhos bambearam na hora mas decidiu continuar e quando foi hospitalizado descobriu que tinha uma bala calibre 22 alojada na cabeça, provavelmente uma bala perdida.

E os desmaios? Temos alguns históricos como o do Italiano Dorando Petri na maratona de 1908 quando entrou no Estádio liderando a maratona olímpica, mas totalmente desorientado pegou o sentido errado e ainda acabou caindo, desmaiado e foi desclassificado por ter sido auxiliado pelos árbitros para se levantar.

A mesma sensação foi vivida pelo Belga Etienne Gailly que desabou na Maratona de 1948, também em Londres, mas como não foi auxilaido conseguiu levantar-se e ainda obter a medalha de bronze.

E o britânico Jim Peters na época considerado um expert e exímio maratonista que nos Jogos da Commonwealth de 1954. Peters era de longe o melhor corredor do mundo de maratona, mas, havia feito duas maratonas em 60 dias e além do treinamento árduo e de outras provas. Num dia de 27° Celsius saiu procurando desafiar o clima e fazer novamente uma maratona sub 2:20 e abriu larga margem sobre os adversários e fazendo com que seu amigo, também britânico, que tentou seguir-lhe próximo desmaiasse no meio do percurso.

Depois de percorrer 41.850 metros já no estádio, com grande vantagem sobre os adversários Peters caiu uma vez, depois outra e mais outras vezes e ninguém o socorria para que ele não fosse desclassificado, mas o martírio não chegava ao final e Peters cada vez mais desorientado e se arrastando caiu uma ultima vez e companheiros de sua equipe entraram para retirá-lo do local e o levarem para ser socorrido faltando apenas cerca de 50 metros para o fina. Peters recobrou os sentidos apenas uns 5 minutos após os médicos começarem a atendê-lo. O escocês Joseph Mc Gheer, prudente e cauteloso cruzou a linha de chegada com campeão da prova 20 minutos após o desmaio de Peters.

A história da Suíça Gabriele Andersen-Scheiss nós já contamos no capitulo as Mulheres nos jogos Olímpicos mas quem não se lembra desta brava suíça capengando, desorientada se arrastando no final da maratona Olímpica de 1984, em Los Angeles, também num calor infernal, e Gabriele desafiou a natureza e o clima ao não aceitar água no ultimo posto d’agua no percurso. Gabriele disse depois que estava com 39 anos e não teria outra oportunidade de honrar o seu diploma de participação olímpica então cumprir o seu calvário nos últimos 500 metros para completar a maratona em 2:48.42. E a suíça Gabriele é hoje mais lembrada que a própria Joan Benoit vencedora da primeira maratona de 1984 exatamente a primeira maratona olímpica feminina. O que poucos sabem é que foi por causa deste incidente que a IAAF fez o artigo “Andersen-Scheiss”que permite aos atletas receberem auxilio médico durante o percurso sem serem desclassificados.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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