Brasil festeja os 50 anos do primeiro ouro

Redação Webrun | Atletismo · 23 jul, 2002

O ex-presindente do COI Samaranch homenageia  Adhemar Ferreira da Silva (foto: Interesportes)
O ex-presindente do COI Samaranch homenageia Adhemar Ferreira da Silva (foto: Interesportes)

Há 50 anos, um brasileiro de origem humilde conquistou a primeira medalha de ouro do atletismo nacional em Olimpíadas, servindo de exemplo para várias gerações. Foi com Adhemar Ferreira da Silva, que saltou do anonimato para a fama internacional ao garantir o ouro no salto triplo durante os Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, em 23 de julho de 1952.

O atleta superou o recorde do salto triplo, que na época era de 16 metros, por quatro vezes em Helsinque. Em sua primeira tentativa, o brasileiro saltou 16.05, que já lhe garantiria a medalha de ouro. Mas ele queria mais, conseguindo cravar 16.09, 16.12 e 16.22.

Adhemar Ferreira da Silva é, até hoje, o único atleta brasileiro a ter conquistado duas medalhas de ouro olímpicas. Nos Jogos de Melbourne, na Austrália, em 1956, ele ganhou novamente a medalha de ouro saltando 16.35 e estabelecendo o novo recorde olímpico.

O mês de julho também é marcado pela primeira conquista olímpica do atletismo brasileiro. No último sábado (20), completaram-se 50 anos da medalha de bronze de José Telles da Conceição no salto em altura, também em Helsinque, em 1952. Ele saltou 1.98 e ficou a três centímetros do vencedor da prata, Kenneth Wiesner, e a seis do campeão Walter “Buddy” David, ambos norte-americanos.

José Telles estabeleceu importantes recordes brasileiros, como em 1954, durante o Sul-Americano disputado em São Paulo (saltou 2.00) e nos Jogos Pan-Americanos disputados na Cidade do México (21.17). Sua marca no salto em altura só foi superada em 1973 com Irajá Chedid Cecy (2.01). Já nos 200m, o novo recorde veio com o quinto lugar de Rui da Silva na Olimpíada de Montreal (20.76).

Para o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo, a Olimpíada de Helsinque também foi marcada por outros grandes resultados do país. Além das medalhas de Adhemar e José Telles, Gesta lembra que o Brasil também trouxe outros boas qualificações como o “quarto lugar de Ary Façanha no salto em distância e o sétimo obtido por Geraldo de Oliveira no triplo (havia sido o quinto melhor colocado na Olimpíada anterior, em Londres)”.

Adhemar Ferreira da Silva morreu em 12 de janeiro do ano passado, aos 74 anos, vítima de parada cardíaca provocada por complicações respiratórias. José Telles da Conceição foi tragicamente assassinado em 1973, no Rio de Janeiro, aos 42 anos.

Este texto foi escrito por: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt

 

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