Hoje em dia com a diversidade de tecnologias que entretêm as crianças sem sair de casa é cada vez mais difícil fazê-las tomarem gosto pelo esporte. Por isso o papel do adulto é incentivá-las e se preciso procurar uma modalidade que se adapte às preferências e necessidades da criança em cada fase de seu desenvolvimento. Até porque, toda criança que pratica algum esporte tem a saúde e a qualidade de vida melhor do que outras que não se movimentam.
A corrida, por ser uma modalidade que exige várias partes do corpo, ajuda as crianças a combater o sedentarismo e a obesidade infantil. Além de ser uma aliada na prevenção de doenças como a hipertensão, diabetes e dislipidemia excesso de Lipídios ou Lipoproteínas no sangue.
A corrida só não é recomendada para crianças com problemas cardíacos, pois acelera os batimentos. Ou doenças respiratórias, como a asma e a bronquite, já que podem causar falta de ar.
Crédito: FotoliaNo entanto, como em todos os outros esportes é preciso tomar algumas precauções. O Webrun conversou com o Dr. Natan Silva, educador físico e diretor científico do Departamento de Educação Física da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.
Após começar a andar, as crianças naturalmente logo aprendem a correr e não há problema nisso, de acordo com o especialista. Muito pelo contrário. Sabe-se que níveis adequados de atividade física proporcionam efeitos positivos sobre o crescimento das crianças, quando levados de forma recreativa, explica.
Entretanto, na hora da corrida as crianças não devem ultrapassar longas distâncias, pois isso pode atrapalhar o crescimento infantil. O excesso de treino pode causar microtraumatismos nos tecidos dos membros inferiores e superiores. Além disso, estudos mostraram que as placas de crescimento são mais vulneráveis em crianças do que em adultos. Portanto, a sobrecarga de treino e correr longas distâncias pode fazer com que efeitos benéficos sobre o sistema esquelético desapareçam, torne o momento traumático e até prejudique o crescimento normal da criança.
O treinamento específico para a modalidade só é recomendado após 15,16 anos de idade. E ainda assim, o Dr. Natan alerta que se deve ficar atento, pois nessa idade a força muscular do tendão não chega nem perto da de um adulto. Dessa forma os jovens são muito mais propícios a lesões caso o treinamento seja extenuante e levado excessivamente como competitivo. Mesmo nessa faixa etária de 15, 16 anos, o profissional responsável pelo treino deve respeitar as limitações do desenvolvimento muscular no momento da preparação dos treinamentos.
Contudo, o Dr. Natan ressalta que a corrida como qualquer outra prática esportiva deve sempre ser encarada como uma atividade lúdica. As crianças e os jovens devem praticar atividade física de forma geral, sem haver a cobrança em relação a resultados.
Portanto, se você quer adaptar seu treino e começar a levar seu filho para correr com você, não se esqueça de que a criança precisa sempre estar com as consultas pediátricas em dia. Ela não tem o condicionamento físico de um adulto. E o mais importante é se divertir!
Este texto foi escrito por: Carolina Abrantes