E o doping chegou no Trail Run

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 26 jul, 2016

Olá Trail Runner, tudo bem? Um assunto que sempre suspeitávamos que acontecesse no Trail Run, mas por falta de controle não havia provas, chegou ao fim. Infelizmente, suspeitas se tornaram verdades.

Já em 2013, no Campeonato Mundial de Corrida de Montanha (existem várias categorias no Trail Run!), uma italiana de nome Elisa Desco, inclusive, campeã mundial em 2009 foi pega no anti-doping pelo uso de EPO (eritropoietina). EPO é um hormônio que aumenta o número de células vermelhas bem como o hematócrito, facilitando a captação e uso de oxigênio pelas células musculares, aumentando significativamente a performance. Lance Armstrong usou e abusou desse hormônio assim como diversos ciclistas brasileiros e mundo afora.

A notícia bombástica veio do UTMB (Ultra Trail Mont Blanc), prova que é o sonho de consumo para a maioria dos amantes do Trail Run. Com o aumento de investimento na modalidade, através de patrocínios das marcas que atuam no segmento, principalmente, houve um número crescente de atletas buscando fama e sucesso no esporte. Logo, doping! Sim, o doping vem a cavalo junto com a possibilidade de maior remuneração, ascensão socioeconômica e etc.

Existe segurança e responsabilidade no Trail Run?

O atleta equatoriano Gonzalo Calisto, 5º colocado em 2015 foi pego pelo uso de EPO Foto: Schlierner/Fotolia O atleta equatoriano Gonzalo Calisto, 5º colocado em 2015 foi pego pelo uso de EPO Foto: Schlierner/Fotolia

O atleta equatoriano Gonzalo Calisto (sim, eu falo os nomes dos envolvidos), 5º colocado em 2015 foi pego pelo uso de EPO (olha ele aí de novo). O mais engraçado é que o UTMB não dá premiação em dinheiro. Concede uma jaqueta de Finisher e um troféu artesanal. Ele foi suspenso por dois anos de toda e qualquer competição internacional e terá de devolver tanto a jaqueta quanto o troféu. A organização da prova já está providenciando novos troféus para os atletas prejudicados e um novo para o então 11º colocado (o pódio geral lá são para os 10 primeiros).

Ano passado, no caso da atleta italiana Elisa Desco, a mesma tentou participação no Endurance Challenge San Francisco da The North Face e sofreu um baita boicote por parte dos atletas de elite da prova. Essa prova, inclusive, distribui U$30 mil em premiação! A organização disse que era uma situação complicada pois a atleta já havia cumprido a suspensão imposta pela IAAF (órgão que regula o atletismo no mundo). Acabou que a atleta correu mas abandonou a prova por volta do quilômetro 20.

O que eu acho? Acho que a punição deveria ser maior, pelo menos o dobro! E acho que doping por cocaína ou maconha deveriam ser tratados de forma diferente, oferecendo inclusive tratamento para o atleta se livrar do vício. Quanto a EPO, testosterona, GH e todas essas substâncias, comprovadamente eficaz na performance, punição exemplar!

A comunidade do Trail Run, com vários atletas da elite se manifestando, é totalmente contrária ao doping. Muitos querem o banimento para sempre do atleta. É um caso a se pensar!

Cruze a linha de chegada, mas limpo de drogas!

Este texto foi escrito por: Manuel Lago

Redação Webrun

Ver todos os posts

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!